Autoritarismo

"Voltamos à Idade Média", diz Carlos Minc sobre exoneração no Inpe

Ministro de Meio Ambiente na gestão Lula lembra que instituto é internacionalmente reconhecido por estudos científicos

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O ex-ministro Carlos Minc: Governo não tem nenhum compromisso com a questão ambiental / Tomaz Silva | Agência Brasil

O ambientalista Carlos Minc criticou nesta sexta-feira (2), em entrevista ao Brasil de Fato, os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) - que monitora a Amazônia e revelou um aumento de 88% no desmatamento da região em junho deste ano, na comparação com mesmo mês de 2018.

Numa série de declarações contra o Inpe, Bolsonaro chegou a dizer que os dados são sensacionalistas e foram “espancados”, para criar constrangimento ao Brasil. Em resposta, o diretor do Inpe, o físico Ricaro Galvão, afirmou que Bolsonaro se comporta “como se estivesse em um botequim”. Galvão acabou exonerado também nesta sexta pelo ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

“Estamos voltando para a Idade Média, onde só valem os dados que agradam o rei”, afirmou Minc, que foi ministro do Meio Ambiente no governo Lula e hoje é deputado estadual pelo PSB do Rio de Janeiro. Quem discorda, ironiza ele, “vai queimar na fogueira da Inquisição”.

“O Inpe é internacionalmente reconhecido. Com suas imagens de satélite, eles nos orientavam e nós fazíamos as operações como a Boi Pirata, as operações de destruição das carvoarias e serrarias clandestinas”, acrescentou o ex-ministro.

Minc conta que à época de sua gestão, quando foram reduzidos 50% do desmatamento na Amazônia, o Instituto foi utilizado pelo governo brasileiro para entender como a região poderia ser explorada economicamente, sem riscos à biodiversidade.

“O Inpe nos ajudou, por imagens, a fazer o zoneamento econômico e ecológico da Amazônia, porque você não termina com o desmatamento, ou reduz, só com medidas repressivas, você tem que reorientar as atividades econômicas”, afirma.

Minc também criticou a ofensiva de Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em várias outras frentes.

“O ministro Salles não tem nenhum compromisso com a questão ambiental”. O deputado lembra ainda que a gestão do ministro “esvaziou o Ibama, o ICMBio, tolheu as mãos da fiscalização e está conseguindo extinguir o Fundo Amazônia, que foi criado na nossa gestão”.

Edição: João Paulo Soares