DIREITO À CIDADE

Cortejo em defesa à cidade e ao patrimônio público será realizado em Porto Alegre

Para chamar a atenção para a disputa que acontece na cidade, movimentos sociais realizarão caminhada neste sábado (10)

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Movimentos em prol do patrimônio histórico, da moradia e da cultura de Porto Alegre promovem protest / Divulgação

De acordo com dados da Fundação João Pinheiro - FJP, o Estado do Rio Grande do Sul registrou um déficit de 239.458 moradias em 2015. Já na região metropolitana de Porto Alegre, o déficit habitacional foi de 96 mil casas. Enquanto isso, segue na Câmara de Vereadores da capital o Projeto de Lei nº 16/2018, em que a prefeitura pretende obter autorização para vender todos os imóveis do município sem consulta prévia. A estimativa é que haja 1.400 imóveis de propriedade passíveis de venda. Com intuito de chamar a atenção para o que está acontecendo na cidade, movimentos em prol do patrimônio histórico, da moradia e da cultura de Porto Alegre realizarão o Cortejo em Defesa do Patrimônio Público e do Direito à Cidade, no sábado (8), a partir das 10h.

O ato, que começa na Rua Baronesa de Gravataí, 640, com esquina com a Rua 17 de Junho, onde ficava, até semanas atrás, a ocupação Baronesa, visitará diferentes endereços que prefeitura tem interesse em mercantilizar. No percurso, haverá intervenções sobre o direito à cidade, à moradia e sobre o patrimônio público.

Haverá também blocos de carnaval, artistas em pernas de pau e outros. A ideia, de acordo com os envolvidos no cortejo, é realizar um ato político e lúdico, inserido dentro de um processo de defesa de outro modelo de cidade: alegre, de encontro, de troca, de inclusão e de participação. De acordo com Ezequiel Morais, da coordenação estadual do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLN), o cortejo tem por objetivo despertar para a sociedade o que está acontecendo na cidade e que passa despercebido. “O cortejo tem como objetivo isso, fazer de uma forma mais alegre para despertar as coisas sérias que acontecem”, explica.

Conforme Fernanda Vecchi Pegorini, que faz parte do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) da Unidade Popular pelo Socialismo, o  cortejo é uma resposta à política de privatização imposta pelo governo Marchezan (PSDB). “É um momento de denuncia da situação de abandono da cidade. Enquanto a prefeitura tem em seu poder cerca 1.400 imóveis que não foram destinados à política pública de habitação, falta moradia digna a muitas famílias na cidade. O cortejo é um chamado à  luta pelos espaços da cidade e na política”, conclui.

Edição: Marcelo Ferreira