História

Livro “Sem Terra em Cartaz” é lançado no Armazém do Campo, no Rio de Janeiro

Publicação reúne mais de 400 cartazes de artistas gráficos e conta história do MST através de imagens

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

,

Ouça o áudio:

Stedile conversou com o público do Armazém do Campo sobre o processo de produção do livro e falou sobre o ato que acontecerá no dia 13 / Eduardo Miranda/Brasil de Fato

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançou neste sábado (10) o livro “Sem Terra em Cartaz”, que reúne mais de 400 imagens que contam a história do movimento popular. O lançamento aconteceu no Armazém do Campo do Rio de Janeiro, no centro da cidade, e contou com a presença de lideranças, artistas e do coordenador do MST, João Pedro Stedile.

“O livro é uma síntese da história da luta pela terra e pela reforma agrária através dessa arte, que é o cartaz. Em qualquer sociedade, a imagem é mais importante que o discurso, porque o que os olhos veem não esquecem, seja fotografia, cartaz ou audiovisual. Por isso, o livro cumpre essa missão”, afirma Stedile.

O trabalho de garimpagem e de busca de recursos para impressão do livro durou mais de um ano e começou com uma primeira seleção de 1500 cartazes sobre a luta pela reforma agrária desde o começo da redemocratização do Brasil até os dias atuais. Criados por artistas gráficos, em sua maioria militantes anônimos, os cartazes documentam ações e iniciativas do movimento em todo o país.

13 de agosto

Durante o lançamento, Stedile também enumerou as razões para o ato que acontecerá em todo o país na próxima terça-feira (13) contra os cortes na educação, contra a reforma da Previdência aprovada pela Câmara e contra as privatizações de bens e de serviços públicos que atentam contra a soberania brasileira.

“Estamos vivendo um período muito difícil na nossa história e na luta de classes. Há ainda uma hegemonia das forças do capital que manipularam as eleições e nos impuseram esse governo neofascista para que esse governo de extrema-direita conseguisse implementar o plano da capital para eles saírem da crise sozinhos e jogarem o peso sobre a classe trabalhadora”, disse o coordenador do MST.

Formação

Também no sábado (10), durante o lançamento do livro, ocorreu mais uma aula do Curso Realidade Brasileira (CRB), que vem sendo realizado nos últimos meses no Armazém do Campo do Rio. Organizado pelo MST, Consulta Popular e pela Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), o curso tem como objetivo a formação política de militantes. Durante os encontros semanais, mais de 80 jovens se reúnem para refletir sobre o Brasil a partir de grandes pensadores brasileiros, como Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Paulo Freire e Florestan Fernandes.

Maria Clara de Araújo Motta, de 22 anos, está participando do CRB pela primeira vez e ressaltou a importância de uma formação a partir de pensadores que buscaram entender o Brasil do passado. “Sem uma base, sem uma formação, fica difícil avançar para poder formar novos militantes e entender o cenário brasileiro de uma forma mais profunda, entender por que as coisas estão acontecendo como estão acontecendo. O curso é um facilitador para a gente conseguir encontrar soluções para os problemas”, contou.

Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e veterana do CRB, Miriã Gusmão, de 21 anos, explicou ao Brasil de Fato que o curso a fez perceber que as lutas contra a opressão do capitalismo se conectam a outros combates, como o do racismo. 

“Só tenho o ensino médio, essa é a primeira organização que eu construo para compreender a realidade brasileira dentro de uma ótica marxista, que é a linha do campo popular, compreender como o racismo e patriarcado têm conexão direta com o capitalismo. A gente analisa com concretude tudo isso que está acontecendo”, avalia Miriã, que pensa em cursar graduação de História ou Serviço Social, áreas que, segundo ela, lidam com o povo e com o projeto de construção de um país.

Edição: Mariana Pitasse