anti-imperialismo

Venezuela manifesta repúdio ao bloqueio dos EUA em jornada mundial de manifestação

Todas as capitais dos 23 estados venezuelanos realizaram atos contra sanções

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Venezuelanos vão às ruas de forma massiva em defesa da Revolução Bolivariana / Foto: Minci

É dia de mobilização nacional na Venezuela contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Cerca de 100 mil pessoas saíram às ruas em repúdio a essa medida que pretende isolar comercialmente a Venezuela. Além disso, movimentos populares que apoiam a Revolução Bolivariana realizaram manifestações de solidariedade em vários países, entre eles Brasil, Argentina, Colômbia, Espanha, Turquia, Alemanha, Itália, Portugal, Austrália, entre outros.

Economistas e analistas políticos avaliam que as últimas sanções econômicas anunciadas pelo governo de Donald Trump poderiam representar um bloqueio total a Venezuela e provocar escassez de alimentos e remédios, como já ocorreu no passado, no ano 2015, por exemplo. Isso porque empresários venezuelanos e estrangeiros com negócios na Venezuela também serão afetados pelas sanções e não apenas o governo venezuelano e seus funcionários.

Diante desse cenário de bloqueio total ao comércio desse país, que ficará impedido de comprar e vender produtos e serviços, a população venezuelana afirma que a saída é produzir. É o que afirma o integrante do movimento social Frente Francisco de Miranda, Frank Matera, de 54 anos.

Integrante de movimento popular, Frank Matera | Foto: Fania Rodrigues

“O primeiro que temos que fazer como povo é apoiar nosso líder, que se chama Nicolás Maduro. Ele nos convocou a priorizar a produção de alimentos e produtos de primeira necessidade. Porque produzir é vencer. Aqui está o segrego. Se a gente produzir vamos poder avançar. Estamos recebendo um ataque brutal por parte dos Estados Unidos, que quer tirar de nós todas as conquistas que tivemos no continente, como no Brasil também”, disse o líder social.

A dona de casa Jenifer Martines, de 44 anos, foi para a rua marchar nesse sábado, em defesa de seu país. "Estamos aqui para deixar nosso apoio contundente ao presidente Nicolás Maduro e à Revolução Bolivariana, seguimos resistindo para vencer todas essas ingerência selvagens pelo império norte-americano, controlado por Donald Trump. A Venezuela não está sozinha, veja quantos países hoje manifestaram seu apoio ao nosso país", afirmou a dona de casa.

Em seu discurso, durante as manifestações, o presidente Nicolás Maduro agradeceu apoio dentro e fora da Venezuela. “Impressionante as imagens das manifestações hoje em todo o país, de um povo que saiu às ruas  para dizer basta ao imperialismo e ao governo de Donald Trump. Também quero agradecer àquelas que pessoas que inundaram as redes sociais em apoio a Venezuela, agradecemos ao mundo pelo apoio. Essa é a batalha de um povo pelo direito de viver”, Nicolás Maduro.

Segundo o presidente as sanções são ilegais perante o direito internacional. “Essas medidas coercitivas unilaterais são ilegais, que atacam a Venezuela porque está há 20 anos desfrutando de um modelo social”. Mas, garantiu que seu país está preparado para superar o bloqueio. “Estamos preparados para exercer nossa independência econômica absoluta e vencer o bloqueio”, disse.

O presidente venezuelano também explicou porque decidiu suspender os diálogos com a oposição. "A delegação opositora havia assumido o compromisso de pedir aos Estados Unidos suspender todas as sanções econômicas contra a Venezuela. Eles assumiram esse compromisso. Pediram para resumir a jornada de diálogo para viajar a Washington. Mas depois receberam como resposta novas sanções e uma mensagem de que já não eram bem vindo em Washington".

Na última quarta-feira, Maduro anunciou que a delegação do governo não participaria da nova rodada de diálogo prevista para quinta e sexta-feira. O anúncio foi feito depois de governo dos Estados Unidos divulgar que aplicaria novas sanções, que representariam um bloqueio total à Venezuela.

Já o ministro de Comunicação e Informação da Venezuela, Jorge Rodríguez afirmou, também durante o ato em Caracas, que a Venezuela vai realizar um abaixo-assinado contra o bloqueio econômico, com a meta de recolher cerca 13 milhões de assinaturas. “A Venezuela não se rende, a Venezuela é soberana”, disse Rodríguez.

Edição: Fernanda Targa