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Em Natal (RN), população sai às ruas em defesa da educação e da aposentadoria

Estudantes e trabalhadores protestam em todo o Brasil contra medidas do governo Bolsonaro

Brasil de Fato | Natal (RN)

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Organizações estudantis e sindicais organizam ato contra retrocessos e ataques do governo federal / Kennet Anderson

Em todo o Brasil, mais de 150 municípios realizaram atos públicos e atividades no dia 13 de agosto. Na capital potiguar, a concentração do ato foi marcada para acontecer no cruzamento das avenidas Bernardo Vieira e Salgado Filho. A atividade se encerrou na Praça da Árvore de Mirassol. 

O chamado Tsunami da Educação inundou as ruas das cidades brasileiras contra os cortes na educação pública e o projeto Future-se, que pretende que o financiamento do ensino superior público seja feito por instituições privadas. Outra pauta que levou estudantes e trabalhadores às ruas foi a aprovação da reforma da Previdência, que agora tramita no Senado.

A secundarista Ana Valéria esteve na manifestação em Natal e declara que participou do Tsunami da Educação porque ela, seus irmãos e primos estudam em escolas públicas e sonham com o ingresso em instituições federais de ensino superior. Segundo ela, “com os cortes nós ficamos sem perspectivas, a juventude fica sem escolhas”.

Mikael Lucas, estudante secundarista e diretor da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES), afirma: “nós somos madeira que cupim não rói, madeira forte que irá resistir a todos os retrocessos e ataques desse governo. Vamos mostrar que o Future-se não cabe à sociedade brasileira, a juventude pobre desse país não aceita esse projeto de privatização da educação”.

Cristina Dias, assistente social e militante das Amélias: Mulheres do Projeto Popular, explica que ela e seu coletivo feminista “está nas ruas denunciando a agenda política do governo Bolsonaro, que é uma agenda de destruição dos direitos sociais que afetam as mulheres e homens trabalhadores. Essa agenda tem como alvo principal a educação, porque ela pode transformar vidas, emancipar as pessoas”.

O sindicalista Manoel Cândido, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do RN (Fetarn), também esteve nas ruas de Natal junto a agricultores do estado. Segundo ele, “os direitos sociais estão sendo ‘tratorados’, principalmente a partir da medida provisória 871 e da PEC 06/2019. Portanto, é dever da federação e da nossa base lutar pela garantia das regras da previdência, especialmente a rural, que assegura ao trabalhador os seus direitos mínimos”.

Future-se

Apresentado no dia 17 de julho pelo ministro da Educação Abraham Weintraub e ainda cercado de dúvidas, o programa prevê que as organizações sociais (OSs) poderão atuar na administração direta das universidades, inclusive na gestão de recursos e de pessoal.

Segundo texto publicado no site do MEC, um comitê gestor vai “definir o critério para aceitação das certificações, para fins de participação no processo eleitoral dos reitores”. Para alguns, isso significa que as OSs poderiam até atuar na escolha de reitores e pró-reitores, uma questão que o governo ainda não esclareceu.

Aderindo ao Future-se, as instituições federais também poderiam “emprestar” professores para atuarem nas OSs e ceder a ocupação ou vender o nome de prédios (naming righs) para essas instituições, como já é feito em estádios de futebol. O anúncio do Future-se gerou reações negativas por parte de reitores e associações de docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes).

Edição: Marcos Barbosa