Coluna

O mundo precisa de um novo jeito de ser pai

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14 de Agosto de 2019 às 10:24
Ser pai e mãe de forma não patriarcal / EBC
Ser pai na cotidianidade da construção de uma relação de diálogo familiar

Nesse segundo domingo de agosto, apesar dos apelos meramente comerciais, a comemoração do dia dos pais é sempre boa ocasião na qual os filhos expressam seu amor e os pais podem pensar o que significa ser pai em uma sociedade que, a cada dia, passa por profundas transformações. Estudos nos revelam: há 8 mil anos, a maioria das antigas civilizações se organizava de forma matrilinear. A referência da sociedade era a família da mãe. Nessa forma de organização, homens e mulheres conviviam em situação de maior igualdade e a propriedade da terra era comunitária. Havia certa igualdade sexual e as sociedades eram mais pacificas e não conheciam a guerra. 

Há cinco mil anos, as sociedades começaram a se organizar a partir da agricultura. Então, os homens passaram a ser os chefes da família e as sociedades se tornaram patriarcais. A partir daí, passou a ser uma sucessão de guerras e conquistas. Conforme essas pesquisas, foram as sociedades patriarcais que geraram as diferenças de classes sociais e inventaram a escravidão, primeiramente dos inimigos conquistados nas guerras e depois de pobres endividados, escravizados para pagar dívidas. 

Infelizmente, até hoje, a sociedade é patriarcal. Só que esse modelo de organização social não funciona mais. Por outro lado, não se encontrou ainda outro estilo de relações familiares. Mães e filhos se desgastam na luta pela sobrevivência. Na maioria das vezes, os homens resolvem o problema pela ausência ou por cumprir meras obrigações econômicas. 

Todos sabem que não basta ser pai biológico. Hoje, até as provetas de laboratório garantem isso, sem necessidade de presença humana. O importante e desafiador é ser pai na cotidianidade da construção de uma relação de diálogo familiar, na qual os filhos que crescem precisam de referências de diálogo e apoio afetivo. No Brasil, a média de duração dos casamentos é de dez anos. E na maioria dos casos, o que sobrevive é uma família nuclear, constituída por mãe e filhos, onde, quase sempre, falta a presença masculina positiva e não dominadora. 

O mundo precisa de um novo jeito de ser pai. A função paterna é necessária para o equilíbrio da família, para uma relação mais justa com a mulher, para a saúde psíquica e emocional dos filhos e para a organização de uma sociedade mais paritária e pacífica. 

Os movimentos sociais e organizações populares têm sido palcos de discussão deste assunto. Têm conseguido transformar homens e mulheres, formados na cultura patriarcal em protagonistas que ensaiam novas relações familiares e sociais. Novas formas de viver a paternidade não serão descobertas sem a participação das mulheres, em uma relação de gênero, tecida na cumplicidade e no diálogo entre todos e todas. Ser pai e mãe de forma não patriarcal, nem de dominação só pode ser ensaiado no engajamento pela justiça e no compromisso com a saúde do planeta. 

 

Edição: Monyse Ravena