Saúde

Enfermeira explica a importância e benefícios do aleitamento materno

Além dos inúmeros benefícios para mães e bebê, o aleitamento tem um impacto direto na saúde pública

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Para conversar sobre aleitamento materno, O Brasil de Fato Pernambuco entrevistou a enfermeira obstetra Camilla Jordão / Agência Brasil

O mês de agosto também já é conhecido como Agosto Dourado, por simbolizar a luta pelo incentivo à amamentação. No Brasil desde a década de 1990 o Ministério da Saúde faz campanhas nacionais para incentivar e auxiliar as mães lactantes. Para conversar sobre o tema, O Brasil de Fato Pernambuco entrevistou a enfermeira obstetra Camilla Jordão, que além do trabalho na rede de saúde, também utiliza as redes sociais para ajudar mães que amamentam, com informações baseadas em evidencias científicas e que podem ser acessadas por qualquer pessoa na conta do Instagram @camisemanel, onde há relatos de mães e outras informações. Confira a entrevista

Brasil de Fato: Qual a importância do aleitamento materno para o bebê, para a mãe e a sociedade?

Camilla Jordão: Para o bebê, ele aumenta o vínculo e o contato com a mãe, ajuda a diminuir as cólicas, a ajuda no desenvolvimento da inteligência do bebê, ajuda a prevenir doenças crônicas como hipertensão e diabetes; para as mães, logo após o parto, se o bebê for amamentado reduz o sangramento pós-parto, ajuda a recuperação, a perda de peso, ajuda no vínculo, porque ela se torna mãe também nesse contato e a prevenir câncer de mama, de ovários e endométrio. Para a sociedade, talvez o impacto seja a médio e longo prazo, porque como o aleitamento materno ajuda a prevenir doenças crônicas e outras coisas como a mortalidade infantil, vai ter um impacto direto na saúde pública.

BdF: Existe uma idade recomendada para o aleitamento?

Camilla: O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam que até os seis meses o aleitamento seja exclusivo e ele pode acontecer até os dois anos ou mais, complementado com os alimentos. 

BdF: Há alguns anos a indústria passou a fabricar a fazer propaganda do leite industrial. Quais as consequências desse tipo de estímulo?

Camilla: Ainda hoje a gente sofre as consequências dessa irresponsabilidade da indústria alimentícia e foi há mais ou menos 20 anos que uma lei que estabelece as normas de comercialização de alimentos para crianças, bicos e mamadeiras que essa situação foi regulamentada. Nos supermercados, rádio, televisão nós não vemos mais propaganda desses produtos e nem de bebês com chupetas porque essa norma passou a regulamentar isso. Assim que o bebê nasce, tanto ele como a mãe vão aprender a amamentar. O bebê apresenta alguns reflexos mas ele vai ser condicionado a aprender a sugar. O movimento que ele faz com a boca e com as articulações para extrair o leite da mama é totalmente diferente do que ele faz com os bicos artificiais, então o movimento do bico é mais fácil e por isso pode haver recusa do leite materno, desmame precoce. 

BdF: Quais as vantagens do leite materno em relação aos industrializados?

Camilla: O leite materno é um alimento vivo. Ele está se modificando o tempo todo para atender as necessidades do bebê, tanto que quando o bebê nasce, o leite é chamado de colostro, porque é rico em anticorpos, porque o bebê é mais vulnerável e precisa daquela proteção. Á medida que ele cresce, o leite vai fazendo uma transição e ficando rico em proteínas, gorduras, carboidratos para esse bebê crescer e ganhar peso. Por exemplo, se for um dia mais frio, o leite fica mais rico em gordura, porque o bebê precisa desse aquecimento e nos dias mais quentes o leite fica mais rico em água para saciar a sede do bebê. A vantagem do leite materno em relação ao artificial é muito grande, exatamente por essa capacidade. 

BdF: Ás vezes as pessoas comentam que o leite de uma mãe é mais forte do que a outra, de que alguns leites são fracos. Isso realmente existe?

Camilla: Esse é um mito clássico sobre o aleitamento. Como um alimento vivo e que se adapta a tantas situações pode ser fraco? Mas, é importante ressaltar que cada bebê mame apenas no peito da mãe, porque essa amamentação cruzada oferece riscos, mas esse leite da mãe para o bebê traz inúmeros benefícios. 

BdF: Para as mães que tem dificuldades para amamentar, onde encontrar ajuda?

Camilla: Ás vezes a amamentação é muito desafiadora para algumas mulheres. Ao contrário do que se pensa, não é um ato instintivo, tem muita coisa envolvida, até o tipo de parto influencia nisso. Mas ás vezes a mãe precisa de uma ajuda especializada que vai além da família. Algumas instituições também podem atuar nesse processo. Os bancos de leite humano são instrumentos que podem ajudar essas mulheres. No Recife há inúmeros bancos que podem oferecer ajuda nos casos em que o bico está ferido, a mama tá pedrada, ou sente dor ao amamentar. Então se as mães estão passando por alguma dessas situações é importante procurar essa ajuda. 

BdF: Onde existem bancos de leite no Recife?

Camilla: Aqui tem o banco de leite do IMIP, que foi o primeiro do estado e que é conhecido por incentivar a amamentação e tem muitos profissionais comprometidos; Tem o SISAM da Maternidade da Encruzilhada; A Bandeira Filho, que é a maternidade de Afogados; O Hospital Agamenon Magalhães. Todos esses tem bancos de leite e as mulheres podem procurar, caso precisem de ajuda.

Edição: Monyse Ravena