Defesa

Sob ameaças de privatização, Banco do Nordeste vira tema de debate pela região

Coordenador do Comitê em Defesa do BNB diz promover um “trabalho de prevenção” às privatizações de caráter ideológicas

Brasil de Fato | Natal (RN)

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Robson Araújo (à esq.), do BNB, participou nesta terça-feira (20) de uma audiência pública promovida pelo deputado Francisco do PT (centro) / Severino Melo

Embora ainda não tenha recebido nenhuma retaliação direta, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) está entre as instituições públicas com ameaças de privatização pelo Governo Bolsonaro. Como uma forma de buscar apoio da população em defesa do órgão, um Comitê em Defesa do Banco do Nordeste foi formado para discutir e explicar a importância que o Banco tem na região.

Coordenador do Comitê e funcionário do órgão, Robson Araújo, explica que há 67 anos o Banco vem criando uma série de ações que visam o desenvolvimento de pequenos empreendedores na região. Segundo ele, o BNB consegue chegar em regiões remotas para oferecer empréstimos de financiamento.

“A gente vai até as comunidades mais distantes e isoladas oferecer oportunidade de crescer, através de financiamento com juros muito baixos (de 1% ao ano), prazo adequado, sempre com políticas desse tipo e sempre de forma responsável. A gente vê quem tem o potencial de crescer”, afirma.

Em 2019, o resultado líquido do BNB chegou, nos seis primeiros meses, em R$ 1,1 bilhão, cerca de 160% maior do que no mesmo período de 2018. O que mostra a rentabilidade do Banco, mesmo com o financiamento de baixos juros e isenção de tarifas bancárias a pequenos agricultores que fazem parte do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um dos grandes beneficiados da política de desenvolvimento do BNB.

“É um público de pequenos produtores, famílias que vivem disso, que pegam financiamentos pequenos. O crédito é pulverizado, atinge muita gente com valores pequenos, adequados às suas realidades, para que cresçam. O cliente do Pronaf é isento de tarifa bancária, o banco não pode vender seguros – como a maioria dos bancos fazem. Isso traz um resultado social muito grande: mantém o homem do campo no campo, e faz o dinheiro circular na economia local”, destaca.

Somente na geração de emprego, Araújo aponta que, em 2018, o Banco do Nordeste foi responsável pela manutenção e criação de 1,4 milhão de empregos no Nordeste inteiro. Caso privatizado, a situação de desempregados no país seria ainda maior. Mesmo com essa série de benefícios gerados, Araújo acredita que a questão ideológica do Governo Federal chega a se sobrepor a prova prática de desenvolvimento gerado. “Não importam os dados, não importam os números, o que as pesquisas digam e o que as pesquisas mostram. Eles têm uma visão: estado mínimo”.

Passando por Natal (RN), o Comitê de Defesa do Banco do Nordeste participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do RN, proposta pelo deputado estadual Francisco do PT, para discutir as ameaças do BNB e a importância da sua manutenção. “Estamos fazendo um trabalho de prevenção. Participando de audiências públicas para mostrar ao máximo de pessoas possíveis a importância do banco, para que a gente tenha apoio da população na hora que vier a retaliação”.

Edição: Marcos Barbosa