Lava Jato

Editorial | Para quem vale as medidas anticorrupção?

A confusão sobre o que é público e privado, legal ou político, escancaram que a lei é aplicada de forma seletiva

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

,
Deltan Dallagnol coordena a força-tarefa da Lava Jato no Paraná / Heuler Andrey/AFP

Deltan Dallagnol, coordenador da operação Lava Jato, julga-se acima da lei e abusa de sua função como autoridade no Ministério Público Federal (MPF). As posições do procurador federal demonstram que agentes da operação Lava Jato recaem sobre as mesmas práticas que dizem combater. 

A confusão sobre o que é público e privado, sobre o que é legal ou sobre o que é político, sobre o que é investigar ou manipular, escancaram que a lei é aplicada de forma seletiva e que diversas autoridades do poder judiciário violam o processo legal para atingir objetivos particulares. Os fins não justificam os meios. 

Denúncias e vazamentos seletivos, utilização da máquina e poder públicos para manipulação midiática, tentativa de uso de recursos obtidos na operação para instituição privada, acesso indevido de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), abafamento de denúncias contra Flávio Bolsonaro, até grilagem de terras por sua família na Amazônia durante a ditadura militar. 

Como é possível combater a suposta corrupção com práticas ainda mais abusivas e ilegais? Medidas que visem coibir o abuso de autoridade são essenciais para garantir o mínimo da lisura de investigações. Não é somente a sociedade civil e os políticos que devem caminhar na linha da lei, autoridades do poder judiciário também. 

Edição: Pedro Carrano