LITERATURA

Livro resgata histórias de presos e desaparecidos pela ditadura contadas pelo teatro

Obra é fruto de diários, fotos e minibiografias feitas pela performance “Procura-se um corpo: Ação nº 3”

Brasil de Fato | Recife (PE)

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O espetáculo tem uma performance que simboliza a dor da perda e do desaparecimento misturada a relatos de militantes contra a ditadura / Rubens Henrique

Há quatro anos, o Núcleo de Teatro do SESC, em Petrolina, no Vale do São Francisco, iniciou a construção de uma apresentação para levar gratuitamente às ruas, praças, escolas e espaços culturais a reflexão sobre as implicações e consequências da ditadura militar brasileira. É a partir dessa iniciativa que surge a performance “Procura-se um corpo: Ação nº 3”.

O performance simboliza a dor da perda e do desaparecimento misturada a relatos de militantes políticos vítimas da ditadura militar. “O livro nasceu da necessidade de comunicação com Tânia Farias, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, que foi uma das criadoras da peça. Ela veio fazer uma residência, que é um processo de imersão por uma semana, para criar algo, que resultou nesse trabalho. Como ela não pode estar aqui em todas as exibições, surgiu a ideia de escrever os diários de cada apresentação, que muda sempre de acordo com o local e o público” explica Thom Galiano, coordenador e professor do Núcleo de Teatro do SESC Petrolina. 

Misturando relatos do diário, o roteiro, fotografias e mini-biografias dos militantes que são retratados, o livro, que leva o mesmo nome da performance, trabalha também aspectos da luta pelo direito à memória, verdade e justiça. Inicialmente, 12 pessoas tinham suas histórias contadas, onde cada um contava uma. Com a ampliação do grupo, mais histórias foram incluídas, chegando a 28 mini-biografias de pessoas como Helenira Rezende, ex-vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) e morta na Guerrilha do Araguaia até Ruy Frazão, militante que foi preso pela repressão em Petrolina. 

Thom ressalta a importância não apenas de preservar a memória dessas pessoas e das atrocidades cometidas durante a ditadura militar, mas a necessidade de fazer uma relação disso com o atual cenário político brasileiro “Acredito que a gente vive hoje uma guerra, inclusive em relação à narrativa. Quando se toca no nome do Ustra ou qualquer outro torturador, você acaba puxando esse assunto. Talvez nunca tenhamos falado tanto sobre a ditadura, nem quando saiu o relatório da Comissão da Verdade se falou tanto sobre esse tema”, ressalta. 

O livro “Procura-se um corpo: Ação nº 3” será lançado no dia 30 de agosto, na programação que faz parte do evento Aldeia do Velho Chico, o Tecendo Ideias, que é uma roda de conversa sobre a importância da memória nas artes cênicas, onde também será lançado o livro “Dionísio pelos trilhos do trem: circo e teatro no sertão do Brasil”, de Reginaldo Carvalho da Silva. O lançamento é gratuito e acontece a partir das 19h no SESC, que fica na R. Pacífico da Luz, nº 618, Centro, Petrolina.

Edição: Monyse Ravenna