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Lançamento do movimento "Direitos Já!" fortalece oposição ao governo Bolsonaro

Nome do grupo faz alusão às "Diretas Já" e reúne lideranças da centro-esquerda à centro-direita

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Evento de lançamento aconteceu na noite desta segunda-feira (2), no teatro TUCA, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo / Foto: Igor Carvalho

Lançado na noite desta segunda-feira (2), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o movimento "Direitos Já! - Fórum Pela Democracia" amplia a frente de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). O evento, que concentrou representantes de partidos de amplo espectro da política nacional, da centro-esquerda à centro-direita, foi marcado por denúncias aos retrocessos de direitos estimulados pelo atual governo. 

O sociólogo Fernando Guimarães, coordenador nacional do movimento, contou que o grupo começou a ser articulado após as eleições de 2018. “Percebíamos que havia um sentimento de aflição com a agenda anticivilizatória do presidente eleito [Bolsonaro]”, disse.

A crise ambiental brasileira foi lembrada pelo arcebispo Dom Claudio Hummes, que criticou o governo federal. “Ele já havia dito que não demarcaria nenhuma terra indígena e não demarcou mesmo. A Amazônia é nossa, ninguém questiona isso, mas precisamos cuidar dela”, asseverou. 

Um dos articuladores do movimento, o constitucionalista Pedro Serrano explicou que a unidade do grupo se dá justamente na oposição ao governo federal. “Atravessamos um processo de desconstituinte. A democracia está ameaçada e não pode haver divergência política, temos que estar juntos contra a barbárie que nos assola”, argumentou.

O sociólogo Noam Chomsky também compareceu ao teatro da PUC e participou do evento e ressaltou a importância da união de diferentes campos para defender o Estado de Direito. “São muitos os motivos para que a gente se una para preservar a democracia com muito empenho e dedicação”, resumiu.

 



Noam Chomsky elogiou a disposição dos presentes para lutar juntos pela democracia. (Foto: Igor Carvalho)

 

“Mais de 57 milhões de brasileiros votaram nisso aí, por medo. Jair Bolsonaro é só o agravamento, é a esteira do que se planejava com o golpe”, disse Ciro Gomes (PDT), ex-candidato à Presidência da República em 2018.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticado recentemente pelo capitão reformado, disse sentir orgulho de fazer oposição frontal a Bolsonaro. “Com muita honra, sou aquele que Bolsonaro considera o pior governador do Brasil”, ironizou.

“Devemos fazer a defesa da soberania nacional, contra aqueles que se dizem patriotas, mas que entregam o país aos interesses internacionais”, completou. Dino também citou a condenação do ex-presidente Lula (PT) como um símbolo das violações que resultaram na eleição de Bolsonaro. "Meus colegas (do Judiciário) apareceram como sócios do capital para perpetuar os privilégios de classe nesse país".

Sobre a atuação do ex-juiz e atual ministro Sérgio Moro, Dino foi taxativo: “Se um juiz é sócio da acusação, ele é tudo, menos juiz. O presidente Lula não teve seu julgamento justo”, disse. “O Brasil chegou em um momento que precisa lutar para manter a Constituição e os direitos. A democracia é como uma plantinha que deve ser regada todos os dias”, finalizou.

Também participam representantes do Instituto Fernando Henrique Cardoso, da União Nacional dos Estudantes (UNE), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e centrais sindicais como Força Sindical, CUT e UGT.

De acordo com o site oficial, o movimento "Direitos Já!" reúne mais de 1,5 mil pessoas de 16 partidos diferentes. O evento no teatro da PUC deve ser o primeiro de uma série de reuniões para se debater alternativas para a crise da democracia brasileira.

Edição: Rodrigo Chagas