A homofobia sai de campo

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Papo Esportivo

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Daronco interrompeu a partida seguindo uma determinação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) / Divulgação FIFA
O futebol sempre foi marcado por ser discriminatório, machista e homofóbico

“Time de veado”, “Maria”, “bicha”. Quem frequenta estádios de futebol já deve ter ouvido esse tipo de ofensa. Mas, ao que parece, essa prática preconceituosa e atrasada está com os dias contados. E o sinal de que, apesar de devagar, estamos caminhando, aconteceu na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Aos 19 minutos do segundo tempo da partida entre Vasco e São Paulo, o árbitro Anderson Daronco ouviu gritos homofóbicos vindo de parte da torcida vascaína. Era apenas mais um momento péssimo que o futebol oficializou como “provocação e brincadeira”, mas, desta vez, não foi assim. O jogo deu lugar a um momento histórico.

Daronco interrompeu a partida seguindo uma determinação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD). A medida instrui os árbitros a paralisarem os jogos em casos de atitudes discriminatórias em campo, além de prever punições para os clubes envolvidos. Foi a primeira.

Ao serem notificados, o técnico Vanderlei Luxemburgo e os jogadores do Vasco pediram para que os torcedores cessassem os gritos. Após a torcida parar, o jogo continuou, mas o fato foi relatado na súmula, o que pode acarretar uma punição ao time cruzmaltino, como multa ou perda de pontos no Brasileirão.

É uma pequena vitória. O futebol sempre foi marcado por ser um esporte extremamente discriminatório, machista e homofóbico. A regra está em consonância com as recomendações da Fifa, que exige que as federações nacionais sigam o protocolo para casos de manifestações desse tipo.

Para aqueles que adoram dizer frases como “ah, o mundo está ficando chato”, é importante fazer uma reflexão: se, para a sua vida ser mais divertida, é preciso ofender, discriminar e agredir, então, não é o mundo que está chato, é você quem precisa mudar!

A graça do futebol está no campo, no lance bonito, na jogada que surpreende. As provocações são saudáveis quando discutem apenas o que realmente importa: o jogo. Com a medida do STJD, a homofobia sai de campo e dá espaço a uma sociedade melhor. Afinal, a partida pode parar, mas a luta por respeito, jamais!

Edição: Wallace Oliveira