HABEAS CORPUS

Casal Anthony Garotinho e Rosinha deixa a cadeia após decisão de desembargador

Ex-governadores terão que entregar os passaportes e se apresentar mensalmente à Justiça

Casal passou uma noite na prisão; decisão de desembargador faz críticas à operação Lava Jato
Casal passou uma noite na prisão; decisão de desembargador faz críticas à operação Lava Jato | Crédito: Mauro Pimentel/AFP

Anthony Garotinho (sem partido) e Rosinha Garotinho (Patriota) foram liberados da prisão após uma determinação do Plantão Judiciário na madrugada que concedeu a soltura para os ex-governadores. A decisão foi do desembargador Siro Darlan, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

De acordo com Darlan, como os fatos envolvendo o casal ocorreram entre 2008 e 2016, a prisão preventiva não cumpre o requisito de contemporaneidade. Para o desembargador, não havendo provas de que Rosinha e Garotinho continuam participando de esquemas de corrupção é ilegal a detenção sob o argumento de garantia da ordem pública e da preservação das investigações. 

Na decisão do desembargador há a menção de que houve falta de embasamento para a prisão e também dificuldade de acesso da defesa do casal aos autos do processo.

"Não se nega, na espécie, a gravidade das condutas imputadas ao paciente. Nada obstante, por mais graves e reprováveis que sejam as condutas supostamente perpetradas, isso não justifica, por si só, a decretação da prisão cautelar", explicou na decisão que favoreceu o habeas corpus dos ex-governadores.

O desembargador determinou que Rosinha e Garotinho entreguem seus passaportes e compareçam uma vez por mês à Justiça. Darlan ainda fez críticas ao modus operandi da Lava Jato com relação as delações premiadas.

"Vivemos tempos sombrios, alertou o ministro Marco Aurélio de Melo do STF [Supremo Tribunal Federal] ao criticar o uso excessivo das colaborações premiadas no âmbito da denominada operação Lava Jato", escreveu Siro Darlan.

A prisão

O casal foi acusado de superfaturar cerca de R$ 62 milhões  em contratos licitatórios em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. De acordo com as investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ), entre 2009 e 2016, período em que Rosinha Garotinho esteve a frente da prefeitura do município, o casal teria participado de um esquema que beneficiava a construtora Odebrecht em procedimentos licitatórios para a construção dos conjuntos habitacionais na região.

A promotora Simone Sibilio, subcoordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público explicou que as prisões preventivas eram necessárias para preservar as investigações.
 

Editado por: Jaqueline Deister

|

Newsletter