DIREITO À COMUNICAÇÃO

Completando 6 anos, BdF MG participa de audiência pela democratização da mídia

A consolidação do jornal ajuda a democratizar o ambiente de informações em Minas Gerais

Belo Horizonte

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O Brasil de Fato MG nasce, para publicar “o lado de lá” - dos trabalhadores, dos movimentos populares e sindicais / Divulgação

Na próxima terça, 10 de setembro, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais convoca uma audiência pública para debater um tema essencial: a democratização da mídia. A reunião acontece a pedido da deputada Beatriz Cerqueira (PT), no mês em que o Brasil de Fato Minas Gerais completa seis anos. Em terras mineiras, o jornal tem contribuído para equilibrar o campo da informação.

Para a presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Alessandra Mello, que participa da mesa da audiência, debater a democratização da mídia é tão importante quanto conversar sobre outros direitos. “Porque no final, tudo passa pela comunicação, que é um poder muito grande. Enquanto não discutir a democratização no Brasil vamos continuar sendo vítimas de golpes, que acontecem inclusive com o apoio midiático”, defende.

A editora-chefe do Brasil de Fato MG, Joana Tavares, lembra da pesquisa lançada pelo Repórter Sem Fronteiras e Intervozes, que mostra que os quatro maiores grupos de mídia do país chegam a concentrar 70% da audiência. “Além de mudanças no marco regulatório e no controle social desses veículos comerciais, é mais que urgente a criação, expansão e fortalecimento de instrumentos que defendam outros pontos de vista, que representem outros grupos, que alarguem a discussão pública”, afirma.

Democratização na prática

“Quando lançamos o jornal em Minas, em 2013, o cenário da comunicação comercial no estado era crítico”, lembra Joana. Minas Gerais é marcada pela concentração midiática, em que os maiores veículos de comunicação estão nas mãos de poucos grupos econômicos ou empresários. A comunicação mineira, país afora, é lembrada pelas interferências que a família Neves fazia nas redações de jornais, chegando a demitir quem escrevesse contra Aécio.

“Agora, assistimos os jornais de grande circulação fazerem propaganda para a Vale e para o modelo predatório de mineração ou defenderem políticas absurdas de retiradas de direitos. Chegam a defender fechamento de turmas na educação básica e cortes nas pesquisas, é difícil entender”, lamenta a editora.

É neste ambiente de informação unilateral que o Brasil de Fato MG nasce, para publicar “o lado de lá” - dos trabalhadores, dos movimentos populares e sindicais. Isso já é visível na sua edição zero, em maio de 2013: “Conta da Cemig é das mais caras do país”, diz a manchete. Ainda na capa: “Aécio é julgado por não investir em saúde”, “Futebol contra a homofobia”, “Mineirão garante R$3,7 milhões por mês para Minas Arena” e “Entrevista com Pereira da Viola”.

O jornal teve o seu lançamento “sob forte emoção”, como divulgou a página do Conselho Regional de Serviço Social de MG, e se inspirou em Carlos Marighella e Milton Nascimento. “Além das falas de alguns integrantes de movimentos sociais e da leitura do editorial do jornal, durante a mística, também foi lida a poesia “Rondó da Liberdade”, de Carlos Marighella. O lançamento terminou animado ao som da música Coração Civil, de Milton Nascimento”, descreve a matéria.

Inclusive, o ato político de lançamento do BdF MG foi também com audiência pública na ALMG, em 15 de maio. Dia feliz por um motivo e triste por outro. A data coincidiu com o julgamento do fazendeiro Adriano Chafik, que foi inocentado à época, mesmo após confessar a sua participação no assassinato de cinco sem terras. Situação que contribuiu ainda mais para o engajamento de movimentos populares na construção do jornal Brasil de Fato, único que seguiria denunciando o caso.

Seis anos depois

“Um veículo de comunicação que esteja a serviço da transformação da realidade de desigualdade e exclusão. Que atenda aos ideais de democracia, pluralidade e diversidade na cobertura dos fatos”, preconizava o editorial da edição zero do Brasil de Fato, e que seis anos depois continua a ser o horizonte deste jornal.

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Serviço

O que: Audiência pública para debater democratização da comunicação, no auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho - Belo Horizonte)

Quando: 10 de setembro, às 18h30

Na audiência, que foi chamada pela Comissão de Direitos Humanos da ALMG a requerimento da deputada Beatriz Cerqueira (PT), estarão na mesa Alessandra Mello, presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG, Bruno Abreu, do Conselho Municipal de Saúde, Jairo Nogueira, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Debora Sá, do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos, Enio José Bohnenberger, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, Paula Silva, do Levante Popular da Juventude, Soniamara Maranhão do Movimento dos Atingidos por Barragens. Frederico Santana Rick, da Consulta Popular, Jô Moraes, ex-Deputada Federal e Raquel Baster, representando do FNDC-MG. Representando o Brasil de Fato participam a editora-chefe Joana Tavares e Beatriz Pasqualino, editora-geral do Centro Popular de Mídias, do qual o BdF é integrante.

Rondó da Liberdade

É preciso não ter medo,

é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,

mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,

que não é racional renunciar a ser livre.

Mesmo os escravos por vocação

devem ser obrigados a ser livres,

quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,

é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre…

O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,

e pode mesmo existir quando não se é livre.

E no entanto ele é em si mesmo

a expressão mais elevada do que houver de mais livre

em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,

é preciso ter a coragem de dizer.

Carlos Marighella. São Paulo, Presídio Especial, 1939.

Edição: Elis Almeida