DIREITOS HUMANOS

Livro coletivo “Direitos Humanos em Debate” é lançado em Porto Alegre

Resultado de curso de extensão da UFRGS, obra busca fortalecer da luta por direitos através da diversidade de vozes

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Lançamento ocorreu nesta quarta-feira (4), na Faced / Fotos: Marcelo Ferreira

Em tempos de retrocessos políticos e fragilização de Direitos Humanos, a resistência passa pelo fortalecimento das relações, da escuta e da compreensão das diversidades. O lançamento do livro “Direitos Humanos em Debate: Educação e marcadores sociais da diferença”, realizado nesta quarta (4), na Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), busca esse fortalecimento. Com mais de 30 artigos, fruto de um curso de extensão realizado pela Universidade, a obra nasce do diálogo entre a universidade e a comunidade, resultado de palestras, debates, intervenções artísticas e rodas de conversa realizadas durante o ano de 2018.

Magali: "Livro é fundamental nesse período de ataque aos Direitos Humanos" 

Para a professora e vice-diretora da Faced Magali Mendes de Menezes, uma das organizadoras da publicação, é de fundamental importância o lançamento nesse período de ataque aos direitos conquistados, principalmente a partir da Constituição de 88. “Temos uma obra que fala dos Direitos Humanos na sua diversidade, traz a discussão sobre o direito à cidade, a interculturalidade, a questão étnico-racial, a homofobia. A gente espera que esse livro possa fortalecer a luta de respeito pelos Direitos Humanos, que chegue nas escolas, nas comunidades, e que traga o fortalecimento nesses debates”, explica.

Magali disse que o livro é um presente à comunidade, relembrando os 49 anos da Faced. “A melhor forma de comemorar é reunir gentes num tempo onde é subversivo e perigoso pensar, falar de Direitos Humanos. E isso só foi possível porque os momentos foram feitos de forma coletiva”, conta.

Ao final do evento, teve o parabéns pelos 49 anos da Faced 

A Mestra Griot Elaine é uma das autoras da publicação. Para ela, é muito importante o diálogo entre a academia e as culturas populares como forma de valorizar a ancestralidade. “Esse compromisso de trazer à academia a questão dos movimentos, que nem todos tem a escrita, isso dá uma importância ao patrimônio. Pra mim, pra minha etnia, pra minha ancestralidade, o patrimônio pode ter se resumido só na questão da nossa alma. Na questão dos Direitos Humanos, esse patrimônio nos faz mudar de posição e adquirir novos hábitos, novas culturas, de outros que podem se somar a nós”, conta.

Para ela, o livro abre paradigmas, mas o processo não pode terminar com o seu lançamento. “Eu, enquanto uma andante dessa cidade, peço encarecidamente que essa Universidade, através dos seus representantes, continue o desafio de como fazer esses Direitos Humanos em debate ecoarem muito longe daqui. Que sirva de lição e missão pra abrir novas portas, que não se encerre aqui. Sem esquecer das nossas crianças, que se ache um formato que eles recebam essa lição dos Direitos Humanos, que eu só a partir de uma determinada idade consegui acessar”, conclui.

Livro foi distribuído e também pode ser baixado gratuitamente no site da Editora CirKula 

Também representando os autores, a professora Russel Teresinha Dutra da Rosa afirma que o curso e o livro olham para temas urgentes e trazem uma contribuição cultural e democrática, valorizando as diferenças e contribuindo para a prevenção de violações. “Atualmente, muitos avanços legais e políticas públicas estão ameaçadas. Nesse cenário, conhecer as pessoas, a história e os direitos é imprescindível. Mas também precisamos de utopias e, nesse tempo de revisionismos históricos, o livro valoriza a diversidade em todas as suas expressões”, ressalta.

Autor e editor da publicação, Mauro Meirelles aponta a importância de se falar em Direitos Humanos e resgatar a memória em tempos de grande intolerância. “O livro tem uma dimensão antropológica, traz o processo ritual, de vivências durante sua construção. Traz a experiência e a memória do que está acontecendo e pensa como podemos lutar contra isso. Então memória é importante porque esse registro não se apaga”, afirma.

A deputada federal Maria do Rosário (PT/RS) é uma das apoiadoras do projeto e, através de seu assessor, Daniel Momoli, enviou uma carta aos presentes no lançamento saudando a luta em defesa da educação e dos Direitos Humanos. “O projeto é de um valor imenso”, afirma.

O curso sobre Direitos Humanos

De abril até dezembro de 2018, a Faced promoveu dez eventos relacionados aos Direitos Humanos. O curso de extensão “Direitos Humanos em Debate” tratou de temas como a interculturalidade e povos indígenas, liberdade de ensinar e direito de aprender, educação e(m) saúde, socioeducação, a laicidade em educação, juventudes e gênero e relações étnico-raciais. As atividades abarcaram um conjunto de ações de formação e de divulgação de informações relevantes no tema de Direitos Humanos, tendo por eixo transversal as questões relacionadas à vulnerabilidade social.

Livro disponível para download

O livro “Direitos Humanos em Debate: Educação e marcadores sociais da diferença” foi distribuído gratuitamente para os participantes durante o lançamento. A obra também pode ser baixada gratuitamente, no site da Editora CirKula, através do link: https://livrariacirkula.com.br/direitos-humanos-em-debate.

Confira mais fotos do lançamento

Edição: Marcelo Ferreira