PGR

Bolsonaro deve indicar Augusto Aras para chefiar Ministério Público Federal

Escolha, se confirmada, desagrada a ala mais radical do bolsonarismo, que considera o procurador "esquerdista"

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Augusto Aras tem perfil conservador e se alinha a Bolsonaro em várias qustões / Roberto Jayme | Ascom/TSE

O jurista Augusto Aras deverá ser o indicado de Jair Bolsonaro (PSL) para ocupar o posto de procurador-geral da República, em substituição a Raquel Dodge, cujo mandato termina no próximo dia 17. A notícia teria confirmada por assessores do Palácio do Planalto.

Aras, que é doutor em Direito Constitucional (PUC-SP) e mestre em Direito Econômico (UFBA), já atua na PGR, porém como sub-procurador.

Sua indicação, se confirmada, romperá um modelo iniciado no governo Lula, de escolha entre os indicados de uma lista tríplice enviada pela associação nacional dos procuradores, já que ele não consta da lista neste ano. Além disso, a indicação desagradaria a ala mais radical dos eleitores e apoiadores de Bolsonaro, que consideram Aras “esquerdista”, “comunista” e até “petista”.

Com intensa movimentação nas redes sociais, o críticos bolsonaristas criaram em agosto um movimento para pressionar o governo a partir da hashtag #ArasnaPGRnão. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) chegou a enviar um dossiê a Bolsonaro, com vídeos e declarações contra procedimentos da Lava Jato e com movimentações entendidas como esquerda.

No entanto, seu currículo e sua atuação revelam perfil conservador, e em muitas questões alinhado ao que pensa presidente. Aras é natural de Salvador (BA), tem 60 anos e está no Ministério Público Federal desde 1987.

Em entrevistas recentes ao jornal Folha de S.Paulo, ele disse apoiar a Lava Jato “como política de Estado”, mas criticou seu “personalismo”, numa possível referência indireta ao ex-juiz Sergio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol.

Numa das entrevistas, quando já estava cotado para o cargo, declarou apoio a teses centrais do bolsonarismo, como a “defesa da família” e os ataques à suposta “ideologia de gênero” e a política de cotas para ingresso nas universidades.

“A Constituição reconhece a família como união de homem e mulher, e também por analogia o Supremo, dando uma interpretação conforme a Constituição, estendeu a entidade familiar às uniões homoafetivas [em julgamento de 2011]. Isso tudo encontra em mim um repúdio natural, como jurista, em que a entidade familiar, nos termos da Constituição, envolve homens e mulheres”, afirmou.

Edição: João Paulo Soares