Investigação

Justiça decreta prisão de seguranças acusados de torturar jovem em mercado

Delegado deve investigar outros casos ocorridos na rede Ricoy, como o denunciado pelo Brasil de Fato na quarta

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O jovem que foi torturado no mercado prestou depoimento à polícia na quarta-feira / Reprodução | TV Globo

Os seguranças Waldir Bispo dos Santos e Davi de Oliveira Fernandes, acusados de torturar um adolescente de 17 anos numa unidade do supermercado Ricoy, em São Paulo, tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça na noite de quarta-feira (4).

A tortura do jovem aconteceu no mês passado na Cidade Ademar, Zona Sul, e veio a público nesta semana com a divulgação de um vídeo de celular feito pelos próprios agressores. Também na quarta, o Brasil de Fato teve acesso a um segundo vídeo mostrando outros casos de tortura física e psicológica na rede Ricoy, mas não foi possível identificar em quais unidades elas ocorrem nem quem são agressores.

As imagens obtidas pelo BdF, no entanto, mostram procedimento semelhante ao usado por Santos e Fernandes, os seguranças do primeiro caso. As pessoas torturadas são acusadas de tentativa de furto ao supermercado. Elas então são recolhidas a uma sala, amarradas e recebem chicotadas.

Os seguranças que tiveram a prisão decretada têm histórico de passagens pela polícia, um por agressão à mulher, outro por roubo.

Seis funcionários do supermercado foram ouvidos no 80° Distrito Policial, na Vila Joaniza. Segundo o delegado Pedro Luís de Sousa, os depoimentos foram “homogêneos” e não ajudaram a investigação. “Os funcionários vieram aqui, orientados pelo jurídico da empresa, para defender seus empregos”, afirmou o delegado, segundo informação do jornal Agora S.Paulo.

O delegado adiantou que está investigando a ocorrência de outros casos.

O jovem vítima de tortura do primeiro vídeo, que teria tentado roubar quatro barras de chocolate, também prestou depoimento. Ele seria usuário de drogas. “Mesmo quase um mês depois da tortura, a vítima ainda tem marcas das feridas feitas com o chicote”, disse o delegado.

Segundo apurou o Brasil de Fato, o Ricoy contrata os serviços da KRP Zeladoria Valente Patrimonial para o setor de segurança. A empresa tem entre seus sócios Alfredo Geromim Valente, Orlando Geromim Valente e o ex-tenente coronel Claudio Geromim Valente.

O último esteve envolvido na morte de uma jovem de 19 anos em 1995, quando era policial. Claudio Valente respondeu a um processo por homicídio doloso, quando há intenção de matar, acusado de ter disparado contra a jovem, enquanto ele espancava um adolescente abordado durante uma operação policial. O processo foi arquivado em março de 2009.

Em nota, o Ricoy afirmou que “está chocado com a tortura sem sentido” e que os “seguranças não prestam mais serviços para o supermercado”.

Também em nota, a KRP Valente Zeladoria Patrimonial lamentou os “horríveis fatos” atribuídos aos seguranças  e informou que “ambos já foram desligados da empresa”,

Edição: João Paulo Soares