ABUSO DE PODER

Ato do Grito dos Excluídos é impedido por seguranças da Prefeitura de Santa Rita

Exigiram uma autorização para que a população ocupasse as ruas; manifestantes retrucaram que não estavam numa ditadura

Brasil de Fato | João Pessoa - PB

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"Uma fila de homens vestidos de preto não nos deixaram passar” / Arquivo pessoal

O ato do Grito dos Excluídos em Santa Rita, que aconteceu paralelamente ao desfile do dia da Pátria, 07 de setembro, foi marcado por arbitrariedades e abuso de poder por parte da prefeitura. Cerca de duzentas pessoas estavam em marcha nas ruas da cidade, juntamente com doze organizações, entre entidades e movimentos sociais, para apresentar um manifesto ao prefeito Emerson Panta.



Segundo Suellyton de Lima, advogado e um dos coordenadores do ato, o manifesto aponta uma série de problemas emergenciais no âmbito das políticas públicas para a cidade: o Atlas da violência 2019 apresentou uma taxa de 73.9 homicídios para cada 100 mil habitantes no município que é considerado o 27º mais violento do Brasil; há escolas com até sete meses sem funcionar, o Fundo Municipal da Educação encontra-se retido pelo Prefeito, além de vários outros problemas decorrentes como a violência doméstica e a falta de moradia. Então as entidades se organizaram para entregar o Manifesto ao prefeito denunciado, propondo soluções e pedindo uma Audiência Pública para resolver os problemas.



Quando chegaram no ato com um carro de som, a segurança de Santa Rita, que não é Guarda Municipal nem Polícia Militar, é um pessoal  contratado como segurança, abordou os manifestantes, juntamente com a Semam, para multar o carro dizendo que era necessário uma autorização para fazer a manifestação. “Então nós falamos que não estávamos na ditadura, que temos o direito de livre manifestação, e fomos em direção ao desfile, e fizemos uma batucada, e quando chegamos próximo da Praça, nos deparamos com uma fila de homens vestidos de preto que não nos deixaram passar”, contou Suellyton. 

Ele destaca que estes seguranças nao podiam fazer o papel da Polícia Militar, e que se fosse a Guarda Municipal, ainda assim, deveriam guardar apenas o patrimônio público.

Os manifestantes do Grito estavam com criança e idosos, de forma pacífica, sem quebrar nada, e foram impedidos de passar na avenida até chegar a Polícia Militar por ordem do Secretário da Cultura, William, e do Prefeito da cidade.

“Não pudemos prosseguir, e tivemos de esperar até o desfile terminar, e ainda estamos com o manifesto para entregar ao prefeito, ao Ministério Público e ao Presidente da Câmara de Santa Rita para que aconteça a audiência pública”, conta Suellyton.

Edição: Cida Alves