DESCASO

Editorial | Governo Bolsonaro é uma ameaça à sobrevivência da Amazônia

Só no primeiro dia de setembro, foram contabilizados mais de 980 focos de queimadas

Brasil de Fato | Recife (PE)

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O fogo é a forma mais rápida de “limpar” a terra, preparando o terreno para outros usos, como pasto para animais / Feldspato

A Amazônia tem estado no centro das discussões da política mundial nas últimas semanas. Mesmo com toda a repercussão gerada na mídia mundial, a destruição de nossos biomas segue intensa. Só no primeiro dia de setembro, foram contabilizados pelo sistema de vigilância do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mais de 980 focos de queimadas. Em agosto, o número de focos de incêndio foi quase o triplo do registrado em 2018 para o mesmo mês. A tendência é de crescimento, dado o histórico do mês de setembro em outros anos e passe livre presente no discurso e na prática do bolsonarismo.

Não é difícil ter uma idéia de quem se beneficia com tantas queimadas. Afinal, o fogo é a forma mais rápida de “limpar” a terra, preparando o terreno para outros usos, como pasto para animais. Não importando as consequências de toda esta destruição. Mesmo quando a perspectiva está além da fumaça preta que tomou conta dos estados do norte, chegando ao sudeste, como aquela tarde que escureceu em São Paulo.

Depois de identificada a dimensão que tomaram os incêndios na Amazônia, o governo de Bolsonaro e suas milícias digitais passaram a tentar criar uma série de narrativas no intuito de minimizar o prejuízo. Inicialmente, tentaram negar a tragédia em curso, chamando de mentirosas as notícias sobre as queimadas. Posteriormente, Bolsonaro passou a acusar ONGs como causadoras dos incêndios, mesmo sem ter a menor capacidade de apresentar um indício sequer. Por fim, acusa partidos políticos de esquerda e movimentos sociais de aproveitarem a situação para supostamente defenderem uma intervenção estrangeira na Amazônia. Mentiras seguidas de mais mentiras sem o menor compromisso com a realidade de nosso país.

Tudo isso para tentar conter uma onda de revolta que tomou conta do mundo. Não apenas pelas queimadas em si, mas pela explícita falta de compromisso em combater os agentes causadores da destruição. Afinal, são estes exatamente as bases políticas e eleitorais do que estamos chamando de bolsonarismo. Não importando sequer os apelos até mesmo de alguns setores do agronegócio que enxergam nesta questão uma possibilidade concreta de perder uma clientela que apresenta alguma forma de preocupação concreta com a realidade.

O bolsonarismo seguirá tentando criar factoides, Fake News e outras mentiras no intuito de seguirem sua marcha destrutiva. Eles chegam à ousadia de afirmar uma suposta defesa da soberania nacional ao atacar a posição de países estrangeiros, quando na verdade não passam de um governo entreguista e submissos aos interesses dos Estados Unidos. A nós, nos interessa sim um arco de aliança global nos marcos democráticos em defesa de nossas florestas e de nossa soberania nacional e popular. Apoio internacional não significa ingerência. São questões diferentes e não necessariamente estão atreladas. Desta soberania não abrimos mãos. Assim como não abrimos de toda a biodiversidade presente na floresta amazônica e, hoje, parece caminhar para sua destruição.

Edição: Marcos Barbosa