LITERATURA

Os brutos, um livro bem atual

Antologia com 33 textos sobre autoritarismo foi lançada em Porto Alegre (RS)

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Obra foi sugerida no coletivo de contistas brasileiros logo após a eleição presidencial de 2018 / Foto: Wálmaro Paz

Apesar da chuva constante, ficou lotada a sala de eventos da Livraria Baleia, no final da tarde do sábado, 7 de setembro. Localizada no porão do prédio 85 da rua Coronel Fernando Machado, no Alto da Bronze, em Porto Alegre(RS), a sala ficou pequena para o numero de pessoas que acompanhou o debate sobre a antologia de contos, Os Brutos, publicada pela editora Reformatório, este mês em São Paulo.

A conversa com os autores gaúchos da antologia Mauro Paz, Jeferson Tenório e Graziela Brum foi mediada pela professora Rejane Pivetta de Oliveira, do Instituto de Letras da Universidade federal do Rio grande do Sul (UFRGS). Em duas horas, os escritores explicaram as razões da antologia e foi debatido o tema do autoritarismo.

Segundo Rejane Pivetta, a obra foi sugerida no coletivo de 33 contistas brasileiros logo após a eleição presidencial de 2018. O fenômeno do autoritarismo, do fascismo em suas vertentes culturais e sua posição, impressionou os autores que escreveram contos revelando aspectos deste fenômeno que podem existir em nossa cultura e manifestar-se de diversas formas, que vão do machismo a homofobia escancarada, passando pelo racismo em todas as suas formas.

O conto Noa, escrito por Mauro Paz, trata da homofobia contra um menino homossexual que sofre bullying de parte dos colegas de aula. Já Jeferson Tenório escreve sobre o racismo explicito que fez uma família de afrodescendentes se isolar da sociedade fechando-se em uma casa, Bethânia é o nome do relato. E Graziela Brum escreve sobre Queda de rins, uma história sobe dois meninos baianos e uma “senhora de bem”, portadora de arma de fogo, incentivada pelo atual sistema.

Os outros contos seguem na mesma linha, mas com uma grande variedade de situações sobre temas autoritários inerentes a nossa sociedade e extrapolados com a eleição do capitão ao limite do suportável. São 201 páginas de uma leitura fácil e interessante que prende o leitor e coloca analogias com situações vivenciadas pelo povo brasileiro e incentivadas pela atual situação política.

Edição: Marcelo Ferreira