CINEMA

Festival Internacional aproxima produção audiovisual e Agroecologia em Sergipe

Evento está dentro da programação do Congresso Brasileiro de Agroecologia; Inscrições vão até o dia 15 de setembro

Brasil de Fato | Petrolina (PE)

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Produções serão exibidas a partir de um convênio na TV Cubana em Cuba em 2020 / Divulgação

Produções audiovisuais independentes, de grupos, movimentos sociais, comunidades tradicionais e outros atores sociais, que tenham como tema a Agroecologia, estarão em cartaz no Festival Internacional de Cinema Agroecológico (FICAECO), que acontece entre os dias 5 a 7 de novembro de 2019, na Universidade Federal de Sergipe (UFS). O evento integra a programação do XI Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), que reúne instituições de ensino e a sociedade civil organizada nas demandas da agricultura familiar para pensar na valorização da Agroecologia como ciência. 

“A relação entre o audiovisual e a Agroecologia numa conjuntura de tantos retrocessos em direitos humanos, meio ambiente, biodiversidade é fundamental, porque tanto a produção de alimentos, quanto a de informações hoje são controladas pelas multinacionais, as grandes empresas” explica Dagmar Talga, membra da organização geral do evento. Para ela, a produção audiovisual não apenas dá visibilidade aos sujeitos envolvidos nessa forma de produção de alimentos, mas politiza o processo, fazendo com que agricultores e agricultoras e comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas se enxerguem como atores sociais. 

Os curta, média e longa-metragens também são uma forma de enfrentamento ao modelo proposto pelo agronegócio brasileiro, que vem investindo em campanhas, filmes, livros, comerciais e slogans que escondem as suas diversas contradições relacionadas ao conflito pela terra, a degradação do meio ambiente, a violência no campo e outros temas. Para além do enfrentamento, a produção audiovisual agroecológica também é uma forma de preservar e sistematizar a memória e os saberes dos produtores rurais e urbanos e também uma ferramenta de educação popular e contextualizada não apenas ao Semiárido, mas outros biomas, como o Cerrado e áreas de Mata Atlântica e Floresta Amazônica. 

Para Dagmar, o audiovisual tem muita importância, também, no sentido de estabelecer uma relação com quem mora nos centros urbanos, conscientizando as pessoas acerca do tema. “A população brasileira ainda se informa em grande parte pelo meios comerciais. Essa produção, feita com outro ponto de vista, não é vista nas grandes salas de cinema, até porque temos dificuldades no acesso, mas podem ser exibidos em muitos lugares, como universidades, organizações, na rua, em praças, para trazer a sociedade para pensar uma leitura mais crítica da sociedade em que vivemos”, afirma. 

Podem participar curta, média e longa-metragens com temática agroecológica, produzidos nos países da América Latina de língua espanhola e portuguesa e lançados a partir de 1º de janeiro de 2016. As inscrições são feitas pela internet até o dia 15 de setembro e o edital de inscrição está no //www.cbagroecologia.org.br/p/ficaeco.html. As obras concorrerão a três troféus e todas as obras de língua ou legendadas em espanhol da mostra principal devidamente aprovadas pelos seus realizadores serão exibidas a partir de um convênio na TV Cubana em Cuba em 2020.

A proposta a médio prazo é expandir o festival, extrapolando a programação do CBA e fazendo edições regionais e com um intervalo de tempo menor, o que pode contribuir para a difusão dos conteúdos produzidos a partir dessa ótica popular “A esperança é que o festival dure por muito tempo, cresça e dê oportunidade a esses povos e produtores independentes e que continue sendo uma construção coletiva de uma arma que contrapõe esse mercado” finaliza. 

Edição: Marcos Barbosa