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Privatização de zoológico e Jardim Botânico de SP ameaçam parque e pesquisas

Moradores da Água Funda fazem protesto na sexta-feira contra projeto de Doria que concede espaços à iniciativa privada

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O Instituto de Botânica, dentro do Jardim Botânico, está no pacote de privatização da área / Divulgação

Moradores da Água Funda, zona sul de São Paulo, fazem na sexta-feira (13) um ato de protesto contra a privatização do complexo de lazer e pesquisa instalado no perímetro do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, também conhecido como Parque do Estado.

Segundo projeto do governador João Doria (PSDB) aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo em junho, serão concedidos à iniciativa privada, por 35 anos, a administração do Jardim Botânico, do Zoológico e do Zoo Safari.

Juntos, os três correspondem a 20% da área de 5 quilômetros quadrados do parque, considerado o maior fragmento de Mata Atlântica da região metropolitana de São Paulo.

A manifestação de sexta, programada para começar às 11h na entrada do Jardim Botânico (avenida Miguel Stéfano, 3686), é organizada pela Associação de Moradores e Amigos da Água Funda e pelo Movimento Lute pela Floresta.

“É triste falar, mas o Água Funda é um bairro esquecido pelas autoridades. Nossa única riqueza é o Parque. Dizemos ‘não’ a esta privatização de um pedaço da Mata Atlântica”, afirmou Izabel Graciliana Ramos, líder da associação de moradores.

Impactos ambientais e científicos

Os grupos contrários à privatização, que incluem servidores e organizações de cientistas e pesquisadores, temem que a exploração privada dos espaços possa causar grande impacto ambiental ao parque como um todo e também a seu entorno, com aumento do descarte de lixo e do fluxo de carros

Eles lembram ainda que as áreas, ao longo dos anos, foram se transformando em grande centros de pesquisa, e não apenas de lazer.

O zoológico, por exemplo, abriga projetos de educação ambiental e preservação de espécies nativas, em parceria com diversos institutos. Desde 2013, oferece um curso de Pós-Graduação em Conservação da Fauna com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Já no Jardim Botânico funciona o Instituto de Botânica, que mantém cursos de pós-graduação em Biodiversidade e Meio Ambiente, além de iniciação científica – programas que formaram mais de 800 alunos nos últimos anos.

Edição: João Paulo Soares