Precisamos falar sobre homofobia no futebol (de novo)

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Papo Esportivo

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Precisamos falar sobre homofobia no futebol e combatê-la com todas as nossas forças / Fotos Públicas / Foreign and Commonwealth Office
Reproduzimos a mesma visão que agride e mata homossexuais fora do futebol

Este colunista disse certa vez em participação no programa Brasil de Fato na Rádio Bandeirantes AM aqui no Rio de Janeiro que o futebol iniciava a sua quarta grande revolução. A primeira havia sido a mudança da regra do impedimento em 1925. A segunda aconteceu em 1974, quando a Holanda assombrou o mundo com o chamado “Futebol Total”. A terceira se passou no final da década de 1980 com o histórico Milan de Arrigo Sacchi e a introdução de conceitos utilizados até hoje.

Mas e a quarta revolução? Ela teve início no dia 25 de agosto de 2019. Foi nessa data que o árbitro Anderson Daronco paralisou o jogo entre Vasco e São Paulo por conta de gritos homofóbicos vindos das arquibancadas de São Januário, obedecendo uma orientação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

A reação dos torcedores e de boa parte da mídia foi de surpresa. Alguns falaram em tom de deboche sobre o “fim do futebol raiz” e a “vontade da FIFA e da CBF de acabar com a festa das torcidas nas arquibancadas”. Outros levantaram questões mais rasas e classificaram gritos como “time de viado” como “parte da cultura do futebol”.

Bom, se partirmos do princípio de que o velho e rude esporte bretão foi dominado por homens desde a sua criação na metade de século XIX, isso até que faz sentido. É só observarmos como tratamos o futebol feminino nas últimas décadas e como reagimos ao vermos qualquer manifestação pró-LGBT nas arquibancadas e nas redes sociais. Usamos o nosso espaço nos estádios como uma espécie de desforra para todas as nossas frustrações e ai de quem ouse nos censurar (?). E tudo aquilo que “ameace a nossa virilidade” deve ser combatido.

Acho que vocês já perceberam onde eu quero chegar. Precisamos falar sobre homofobia. Precisamos combatê-la com todas as nossas forças.

Já ouvi mais de uma vez que somos nós mesmos em duas situações da nossa vida: quando tomamos um porre e quando estamos nas arquibancadas vendo nosso time em campo. E isso diz muito sobre nós. É um problema que transcende a esfera esportiva. Quando gritamos “bicha” no momento em que o goleiro do time adversário está cobrando o tiro de meta ou quando gritamos “time de viado” quando a outra equipe tem a bola, reproduzimos a visão de que isso é algo apenas pejorativo e que “não faz mal a ninguém”. Reproduzimos também a mesma visão que expulsa, agride e mata homossexuais dentro e fora do futebol em outros níveis.

O ex-jogador Neto foi muito feliz quando levantou a questão em seu programa na BAND ao perguntar para os comentaristas (alguns ex-jogadores como ele) quantos atletas que acabaram tendo que sair do esporte por conta de opção sexual e da rejeição no vestiário, nas arquibancadas e até mesmo dentro do clube. O racista, o homofóbico, segundo Neto, “nem são gente”.

Essa fala pode ser um pouco pesada. Mas se entendemos que abrimos mão da nossa Humanidade toda vez que agimos de maneira preconceituosa, isso começa a fazer muito sentido. É impossível falar até mesmo em valores éticos e morais se você não se solidariza com quem é diferente de você.

A quarta revolução do futebol não é tática ou técnica. Ela passa por algo semelhante ao que o grande Nelson Mandela falava: "O esporte tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar, tem o poder de unir as pessoas de um jeito que poucas coisas conseguem".

25 de agosto de 2019. Marquem essa data. Algo até então inimaginável no velho e rude esporte bretão pode ter começado nesse dia.

Empatia. Esse é o caminho.

Fluminense segue seu calvário

A maneira como o Fluminense foi derrota pelo Palmeiras nesta terça-feira (10) foi de dar vergonha. O time não esboçou a menor reação. E a impressão que fica é que Oswaldo de Oliveira já está desgastado com jogadores e torcida.

Flamengo tem jogo decisivo contra o Santos

A partida contra o Santos no próximo sábado (14) vale demais para o Flamengo. Pode ser a consolidação da liderança no Brasileirão. Todo cuidado será pequeno diante da equipe de Jorge Sampaoli.

Luxemburgo precisa ter cuidado com o que fala

Se Vanderlei Luxemburgo continuar falando que a briga é contra o rebaixamento e que “não tem o elenco quer no Vasco”, as coisas podem ficar complicadas. O técnico pode até perder o grupo por conta de declarações como essa.

Eduardo Barroca achou a formação do time

Marcinho no meio-campo junto de Cícero e Alex Santana. Eduardo Barroca achou a formação ideal do Botafogo. Agora é corrigir os problemas e seguir o caminho. O Botafogo pode chegar mais longe do que muita gente pensa.

Edição: Brasil de Fato (RJ)