Despejo

Ex-presidente Lula manifesta apoio ao MST e ao Centro de Formação Paulo Freire

Equipe de Lula entrou em contato com o MST para comunicar solidariedade; Ex-presidente esteve no Centro em 2016

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Ex-presidente em visita a Normandia / Ricardo Stuckert

A campanha desenvolvida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contra o despejo do Centro de Formação Paulo Freire, em Normandia, Caruaru, tem ganhado visibilidade e apoio de personalidades importantes da cena política e artística, não só pernambucana, mas também nacional. Recentemente, o dirigente do MST Jaime Amorim recebeu ligação da equipe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informando que Lula já estaria ciente dos ataques que o centro tem recebido e que era solidário à luta do movimento.

De acordo com Jaime, o ex-presidente comunicou “que iria sair da prisão para se somar na luta em defesa de Normandia”. Segundo informado pela sua equipe, Lula reconhece Normandia como um espaço importante de produção e de conhecimento, que é parte daquilo que “ele entende como ideal para construção de uma sociedade”, afirma Jaime. 

Em julho de 2016, o ex-presidente visitou o assentamento Normandia. Na ocasião, Lula foi apresentado à escola do Centro de Formação Paulo Freire e conheceu, também, a plantação e a agroindústria que existem ali. A visita foi acompanhada pelos trabalhadores e as gestoras da agroindústria do assentamento, Mauricéia, Maria Júlia e Dona Zefinha. 

Naquele momento, o cenário político brasileiro já vivia um contexto de forte polarização, quando tramitava o processo que desembocou em um golpe de Estado por meio do impedimento da presidenta Dilma Rousseff de cumprir seu segundo mandato até o final. Durante a visita, Lula compartilhou uma série de reflexões a respeito da democracia e da participação da classe trabalhadora na política brasileira.

Na ocasião, segundo matéria publicada na página do Instituto Lula, o ex-presidente declarou que a viagem despertou sua vontade de “voltar a viajar o país. Especialmente nesse momento que estamos sendo vítimas de um golpe". "Eu senti que eu tinha um vazio na minha vida. O vazio era a ausência de contato com o povo trabalhador desse país", disse. 

Ainda durante a visita, Lula comentou sobre o ódio que alguns setores da sociedade manifestavam contra a esquerda, afirmando que esse sentimento se dá “contra qualquer pessoa que pense que o trabalhador deve ter alguma participação na democracia. Democracia pra eles [da elite econômica e política] é só quando eles participam sozinhos. Quando outro quer participar junto, eles não aceitam" reforçou. 

Atualmente, Lula da Silva se encontra preso em Curitiba, no prédio da Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná, desde abril de 2018. Não só a prisão, mas todo o processo em torno do encarceramento do ex-presidente foi questionado desde o início por juristas e autoridades políticas de todo o mundo, inclusive pelo Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Mesmo preso, Lula continua sendo figura relevante do cenário político brasileiro. Suas declarações, através de entrevistas, cartas, ou mesmo por meio de porta-vozes da sua equipe ou do Partido dos Trabalhadores (PT), ainda repercutem nos noticiários e influenciam nas articulações políticas entre diversos setores, além de gerarem interesse na sociedade. 

Entenda

O Centro de Formação Paulo Freire é alvo de ordem de reintegração de posse solicitada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pela Advocacia Geral da União (AGU). Em ato de resistência, desde o último sábado (14), agricultores acampados e assentados de todas as regiões do estado montaram suas próprias cozinhas coletivas e estão participando de atividades políticas e culturais. O acampamento permanecerá por tempo indeterminado, mantendo aproximadamente 1.400 pessoas, segundo organizadores.

Edição: Monyse Ravena