O Pacaembu dos outros

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Papo Esportivo

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O Pacaembu é a alternativa mais bem localizada e estruturada que o público mais pobre de São Paulo tem de ir a um estádio / Edsom Luiz Jr
Estádio perderá seu caráter público e popular

“Este é o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. O seu, o meu, o nosso Pacaembu”. É assim que o locutor Paulo Sorriso dá as boas-vindas aos torcedores que dão corpo e alma às arquibancadas do Municipal paulistano. Mas agora que o Pacaembu foi privatizado, quem será que o frequentará?

Segundo o Consórcio Patrimônio SP, que administrará pelos próximos 35 anos o complexo esportivo, a capacidade do estádio cairá de 39 mil para 26 mil pessoas. Isso porque a arquibancada localizada atrás de um dos gols, o famoso tobogã, será demolida para a construção de um prédio de escritórios corporativos e lojas. Essa mudança deixa claro que as torcidas de futebol não serão mais a essência do local.

Desde 2014, quando o Corinthians inaugurou sua arena em Itaquera, o Pacaembu foi se esvaziando. Ironicamente, foi neste 2019 de sua privatização que o uso do campo pelo público mais cresceu desde então – só este ano já foram 46 jogos, isso sem falar de torneios amadores de comunidades e refugiados. Qual valor extorsivo o Patrimônio SP cobrará dos organizadores desses torneios populares para recebê-los?

Atualmente, o Pacaembu é a alternativa mais bem localizada e estruturada que o público mais pobre de São Paulo tem de ir a um estádio. De jogos gratuitos de categorias de base a ingressos acessíveis de futebol profissional feminino e masculino (que o digam os torcedores do Palmeiras, time mais vezes campeão no Municipal), o estádio que mais cumpre com sua função social na cidade mais rica do país também passará por um inevitável processo de higienização de seus frequentadores. Agora, o campo será mais amigável àqueles que puderem pagar mais.

O Pacaembu perderá seu caráter público e popular para virar mais um empreendimento privado, exclusivo. A política de exclusão do povo em relação ao esporte e ao lazer continua de vento em popa no Brasil sob o golpe de Estado e na São Paulo administrada pelo PSDB.

 

Edição: Wallace Oliveira