MANIFESTAÇÃO

Em Porto Alegre, Greve Global pelo Clima exige ações e denuncia Mina Guaíba

Manifestação ocorreu no feriado de 20 de setembro, reunindo cerca de mil pessoas no Parque da Redenção

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Pautas ambientais e sociais marcaram os protestos em diversas cidades brasileiras / Fotos: Ibanes Lemos

Porto Alegre aderiu ao movimento que tomou conta do mundo nesta sexta-feira (20): a Greve Global pelo Clima ou Climate Strike, em inglês. Cerca de mil pessoas, em sua maioria jovens, crianças, estudantes e ativistas das causas do meio ambiente se reuniram à frente do Monumento do Expedicionário, no Parque da Redenção.

Os participantes chamaram a atenção do povo gaúcho para a iniciativa, que pretende dar uma demonstração de força para a Cúpula do Clima da ONU, que acontece nesta segunda-feira (23), e a Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira (25). O movimento quer pressionar políticos e empresários a adotar medidas necessárias para deter o aquecimento global. Cerca de 5 mil manifestações foram realizadas em mais de 150 países do mundo.

No Brasil, os protestos ocorreram em pelo menos 20 estados e foram impulsionados pela Coalizão pelo Clima, uma frente ampla composta por 70 organizações ambientalistas, coletivos, movimentos sociais, centrais sindicais e ativistas. As lutas dos movimentos sociais, atravessadas pelo tema ambiental, também ganharam destaque nas ruas do país.

Não existe um Planeta B 

A defesa da educação pública também foi bandeira no protesto 

No protesto em Porto Alegre, os manifestantes carregavam cartazes onde criticaram a falta de compromisso dos governos e a destruição do planeta, cobrando medidas concretas para frear as emissões de gás carbônico e combater o aquecimento global. Entre as mensagens de crianças e jovens estavam "Não há lucro num planeta morto. Diga não ao carvão", "Não existe um Planeta B" e a "A hora é agora. Salve a Amazônia". Um cartaz com um depoimento do poeta Mario Quintana chamou a atenção de quem curtiu o feriado do 20 de setembro no parque: "Nesses tempos de céus cinzas e chumbos, nós precisamos de árvores desesperadamente verdes".

“Nós, como brasileiros, temos uma responsabilidade maior”, lembrou a estudante de Engenharia Ambiental e integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Thaís Barrquel, devido ao fato de estar no país a maior floresta tropical do mundo.

Mina Guaíba 

"Saúde sim, mina de carvão não" 

Os manifestantes também protestaram contra o megaprojeto de mineração da Mina Guaíba, da Copelmi, ente Eldorado do Sul e Charqueadas, distante cerca de 16 quilômetros da capital gaúcha. Eles denunciaram que o projeto invadirá uma área de preservação ambiental no Jacuí. "Estes projetos vão desconfigurar totalmente o Rio Grande do Sul porque onde existe mineração você não consegue ter agricultura, pecuária e piscicultura que representam as principais economias do Estado", lamentou.a diretora do SindBancários e da Frente pelo Clima, Ana Guimaraens.

Ana disse também que está sendo feita um alerta para a preservação do meio ambiente. Segundo ela, existem 5.192 requerimentos para pesquisa mineral no Estado e 166 projetos estão avançando. Deste total, conforme a dirigente sindical, quatro estão mais avançados nas cidades de São José do Norte, Caçapava do Sul, Lavras do Sul e Guaíba.

Os ativistas aproveitaram para divulgar importante audiência pública para discutir a questão, que deverá ocorrer na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul no próximo dia 30, às 18 horas, no Teatro Dante Barone.

Novo protesto dia 24 

Devido ao feriado estadual de 20 de setembro no Rio Grande do Sul, as centrais sindicais, diversas entidades, estudantes e movimentos sociais centraram suas forças na realização de um protesto nesta terça-feira (24), data em que o Senado inicia a votação do primeiro turno da reforma da Previdência. A concentração será na Faculdade de Educação (Av. Paulo Gama, 110 - Farroupilha, Porto Alegre), a partir das 16h30. Posteriormente, o grupo segue em caminhada até a Esquina Democrática, no centro Porto Alegre.

Além das pautas nacionais como a defesa da aposentadoria, da Amazônia, da soberania nacional, por emprego, contra os cortes na educação pública e o programa Future-se, que pretende privatizar a gestão das universidades e institutos federais, o ato abarcará também a luta contra as privatizações dos governos Bolsonaro, Eduardo Leite e Nelson Marchezan Junior.

* Com informações da CUT-RS

Edição: Marcelo Ferreira