Visita a Lula

Juiz espanhol denuncia: prisão de Lula é marcada por falta de garantias jurídicas

Baltasar Garzón afirma que não há prova direta e nem indireta no processo contra ex-presidente

Curitiba

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Baltasar Garzón e Tarso Genro visitam Lula em Curitiba / Joka Madruga

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra em caráter de prisão política há 537 dias, recebeu nesta quinta-feira (26), na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, a visita do espanhol Baltasar Garzón, juiz conhecido por ter decretado a prisão do ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998.

Acompanhou o juiz o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro e o ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi. Eles transmitiram as impressões do encontro para a Vigília Lula Livre.

Garzón começou seu relato afirmando ter. tanto quanto Lula, absoluta convicção da inocência do ex-presidente. “Ele me disse que, se tivesse consciência de ter cometido meio milímetro dos fatos que o imputam, não iria me pedir que viesse. É uma lição que só dão aqueles que são inocentes”, contou.

Quando questionado sobre qual seria a principal crítica ao processo que prendeu Lula, o juiz espanhol afirmou que é a falta de garantias jurídicas, em um julgamento marcado pela ausência de provas.

“A principal crítica ao processo é a falta de garantias e de cumprimento do devido processo. As garantias jurídicas num processo penal são fundamentais. No caso de Lula não há prova direta nem indireta que justifique a condenação que está sofrendo. É preciso julgar sem nenhum tipo de amarra midiática. O que cai, com a condenação do presidente Lula, é a credibilidade do Estado de Direito”, afirmou o juiz.

Tarso Genro afirma que Lula deve ser solto neste ano

O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro criticou a forma como o ministro da Justiça, Sergio Moro, e a operação Lava Jato aparelharam o Estado com um caráter conservador. “Foi uma conspiração política na verdade. Que teve o objetivo de aparelhar o Estado pela direita. E em segundo lugar impedir Lula de ser presidente da República novamente. Se restam pessoas decentes na Justiça, juízes honestos, ministros afeitos à lei, Lula tem de ser solto ainda este ano. E em breve. Impossível manter o mínimo patamar de dignidade democrática com essa situação de ilegalidade”, criticou.

 

Edição: Frédi Vasconcelos