Soberania

Editorial | A Petrobras é do povo brasileiro, defendê-la não é só um ato político

Próximo ao seu aniversário de 66 anos, a estatal brasileira sobrevive com sua soberania em risco

Brasil de Fato | Natal (RN)

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Sangria da soberania nacional nos deixa reféns do mercado externo e das políticas adotadas pelo Estados Unidos / Joaquim Neto

Criada por Getúlio Vargas em 3 de outubro de 1953, a Petrobras surgiu como uma empresa para competir mundialmente no mercado de petróleo e ser um símbolo da soberania e do capitalismo nacionalista de seu tempo. É a sétima maior empresa mundial, com um lucro líquido de cerca de R$ 25 bilhões, em 2018, o que atraiu diversos investidores nacionais e internacionais, tendo em vista seu capital aberto.

Em 2006, com a descoberta do pré-sal, a empresa tornou-se ainda mais importante, sendo a única no mundo a ter a tecnologia para a exploração de petróleo no fundo do mar. Isso, claro, chamou atenção não apenas do mercado externo, mas também dos políticos brasileiros e sua obsessão pelo desmonte da soberania nacional, ao dar início aos leilões do pré-sal para empresas do Estados Unidos da América.

Atualmente, tramita no senado um Projeto de Lei do senador José Serra (PSDB/SP) que está dividido em dois pontos importantes. O primeiro abre a possibilidade de concessão dos campos à iniciativa privada, alterando o regime de partilha. O segundo retira a preferência da Petrobras em impor sua participação nos consórcios vencedores dos próximos leilões do pré-sal. Se aprovado, o projeto poderá impactar diretamente nos valores destinado à União e, consequentemente, ao Fundo Social do pré-sal.

Desde o desgoverno de Michel Temer até, agora, o de Jair Bolsonaro, há um mesmo pensamento de privatizações dos bens público: Correios, Petrobras, Eletrobrás, entre outros. É a sangria da soberania nacional nos deixando reféns do mercado externo e das políticas adotadas pelo Estados Unidos. O petróleo brasileiro está em risco com a política entreguista da qual o Brasil faz parte hoje. Os lucros das estatais nacionais, entre elas a Petrobras, só crescem a cada ano, por isso o povo brasileiro tem que defender cada vez mais essa empresa.

Com a privatização, o Rio Grande do Norte, que possui um dos maiores campos de petróleo e gás do Nordeste, vai sofrer diretamente com as vendas dos campos para empresas privadas estrangeiras. O desemprego no estado sobe aceleradamente e os altos preços dos combustíveis atingem diretamente o bolso da população. Como sempre, a população se torna refém do grande empresariado e dos interesses suspeitos daqueles que não se interessam pelo desenvolvimento nacional.

O desafio é construir, no dia 3 de outubro, um ambiente amplo e de franco diálogo com o conjunto da sociedade. É fundamental mobilizar setores históricos da defesa da soberania nacional, personalidades e a incorporar todos os partidos considerados de esquerda.

Edição: Isadora Morena