PAUTA NERD

Coringa (Joker) estreia nesta quinta-feira (3) e coleciona prêmios e críticas

Joaquin Phoenix, protagonista do filme, afirma que não é responsabilidade do cineasta ensinar moralidade à audiência

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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O filme recebeu 69% de aprovação no site Rotten Tomatos, especializado em críticas de cinema.
O filme recebeu 69% de aprovação no site Rotten Tomatos, especializado em críticas de cinema. - Reprodução Joker (Warner Bros)

Nesta quinta-feira (03) chega ao Brasil o filme "Joker" (Coringa), inspirado em um dos quadrinhos mais renomados da trajetória do vilão: “A Piada Mortal”, do selo Vertigo, escrito pelo autor Alan Moore e desenhado por Brian Bolland

O Coringa é interpretado por Joaquin Phoenix, vencedor de prêmios como Globo de Ouro, Festival de Cannes e Festival de Veneza.

A história conta as origens de uns dos vilões mais amado, Arthur Fleck, um palhaço aspirante a comediante, fracassado, que sofre violência física e psicológica ao longo de sua vida. Ele vive em Gotham City (cidade ficcional onde se passa a trama do super-herói Batman) e se torna um dos maiores assassinos dos quadrinhos do mundo dos quadrinhos. 

Um fato interessante é que o personagem foi inspirado n’O Homem que Ri, de Vitor Hugo.

O filme é favorito para os prêmios de 2020, mas tem colecionado uma série de críticas pela forma como trata a violência. Um dos exemplos é a possível relação entre o Coringa e a "cultura" incel

Incel é o nome dado a homens celibatários involuntários que não conseguem manter relações sexuais com mulheres, por acreditarem que elas não sentem qualquer atração por eles. Por isso, encontram-se em grupos na internet, chamados "chans", para compartilhar suas frustrações e atacar o que consideram homens e mulheres sexualmente atrativos. São comuns postagens misóginas nos chans, por exemplo.    

Por causa do seu celibato involuntário, alguns incels organizam massacres e atentados a comunidades. Muitos dos ataques em escolas, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, foram atribuídos aos incels. Um dos atiradores de Suzano, por exemplo, tinha ligações com chans e foi chamado em parte dos grupos como “herói da causa”. 

Reprodução Warner Bros | Joker 

Com o lançamento do filme, há receio que se crie uma identificação desses grupos com o vilão de Gotham City. Stephanie Zacharek, crítica de cinema da revista Time, afirmou que o longa-metragem transforma “um cara triste que não consegue marcar um encontro em um herói assassino”. 

As opiniões de David Ehrlich, crítico de cinema do site Indie Wire, e Richard Lawson, da revista Vanity Fair, são semelhantes. 

Por outro lado, o próprio ator se manifestou sobre o assunto e afirmou que não cabe ao cineasta a responsabilidade de ensinar o que é certo e o que é errado. “Se alguém está nesse nível de distúrbio emocional, qualquer coisa pode ser um gatilho”, completou Phoenix ao site IGN.

Apesar das críticas, o filme foi bem recebido pelos críticos de cinema até agora, com 69% de aprovação no Rotten Tomatoes (site que reúne críticas cinematográficas). Agora, resta deixar que o público tire suas próprias conclusões. 
 

Edição: Michele Carvalho