Governo do Paraná

Sindicatos da Copel realizam assembleias com indicativo de paralisação

Trabalhadores estão insatisfeitos com cortes no abono salarial

Porém.net

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Governador pode enfrentar paralisação na Copel / Gilson Abreu/ANPr

Os 11 sindicatos com representação na Copel estão convocando assembleias gerais a partir de hoje (7) até o dia 23 de outubro para avaliarem a proposta da empresa com relação ao acordo coletivo de trabalho dos funcionários que deve ter duração de dois anos, até 2021. O resultado da votação será anunciado no dia 24 de outubro e os trabalhadores votam, inclusive, sobre uma paralisação no dia 6 de novembro, uma quarta-feira.

A minuta apresentada pela Copel tem irritados os copelianos. Um grupo do Telegram com quase 1500 funcionários, tem dado a tendência de rejeição ao acordo proposto. Mesmo com lucro bilionário no segundo semestre em comparação com o mesmo período do ano passado, a empresa quer cortar benefícios e direitos dos trabalhadores.

Corte no abono

Um dos itens analisados é a respeito do abono indenizatório com valor variável e proporcional ao tempo que o empregado ainda terá de serviço, como se este vendesse antecipadamente o segundo terço de férias à empresa. Os valores individuais foram divulgados pela empresa aos funcionários. O pagamento será feito em duas partes: 2/3 do valor após a aprovação e o 1/3 restante em fevereiro de 2020, sem incidência de Imposto de Renda.

“A partir da vigência deste acordo, a Copel deixa de efetuar o pagamento do abono salarial e do terço convencional de férias estabelecidos nos acordos anteriores ao presente instrumento. O abono indenizatório será pago em duas parcelas, com natureza indenizatória”, registra a minuta entregue aos sindicatos.

Lucro

O relatório de resultados da Copel no segundo semestre de 2019 demonstra que o EBITA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou a R$ 947,0 milhões, 13,3% acima dos R$ 836,0 milhões registrados no segundo trimestre de 2018. O valor é resultado do aumento de 2,3% no volume de energia vendida aos consumidores finais, destacando-se a elevação de 17,7% no mercado livre industrial da Copel GeT e Copel Com.

A Copel ainda apresentou redução de custos na ordem de 0,9%, totalizando R$ 2.970,6 milhões, como consequência, principalmente, da queda de 15,9% no custo com energia elétrica comprada para revenda. “Já os custos com pessoal e administradores tiveram redução de 1,7%, como resultado da redução de 566 funcionários nos últimos 12 meses”, demonstra o relatório.

Paralisação

Os copelianos avaliam fazer uma paralisação de 24 horas em 6 de novembro. É uma resposta a proposta feita pela empresa. Em vídeo encaminhado aos funcionários, o presidente da Copel, Daniel Pimentel Slaviero, defende a nova regra.

“Neste ano, a empresa está propondo um modelo diferente por determinação do CCEE (Conselho das Estatais) por acreditar na transição de salário, mais PLR, mais abonos fixos, para salário, mais PLR, mais remunerações variáveis”, justifica. Segundo o presidente, a proposta para o corte do abono é para “beneficiar o copeliano que deixará de pagar 27% de imposto de renda.

No entanto, em vídeo paródia, os copelianos criticam o modelo apresentado por Pimentel e dizem que não vão aceitar a perda de direitos. “Eles vão ter que aceitar esse ACT. Só assim para desonerar a folha e fazer eles engolirem o papinho de meritocracia. Se não desonerar a folha, quem vai querer comprar a (Copel) Telecom?”, diz personagem de Hitler na paródia de “A queda” utilizada para questionar a proposta.

Edição: Lia Bianchini