Despejo

Prazo para que a área onde está o Centro Paulo Freire seja desocupada encerra dia 10

Ordem de reintegração de posse ameaça o futuro do Centro de Formação

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Deputados e movimentos populares prestam solidariedade ao MST na Assembleia Legislativa de Pernambuco / Marcos Barbosa

Em conversa com o Brasil de Fato, Jaime Amorim, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), explicou a atual situação do processo envolvendo o Centro Paulo Freire. Por determinação da Justiça, o prazo para que a área de 15 hectares em litígio seja desocupada se encerra na próxima quinta-feira (10).  Na última sexta-feira (04), também foi concedido o prazo de até 30 dias para que o Incra se posicione quanto ao interesse em uma audiência de conciliação.

Na opinião de Jaime, há uma contradição nas determinações da Justiça. “Como o juiz dá um prazo de 30 dias para o Incra se manifestar, mas não suspende a reintegração de posse? De toda forma, nós já tomamos nossa decisão e não vamos sair. Nós só negociamos desde que o Centro de Formação possa continuar fazendo o que está fazendo até hoje, garantindo todos os convênios com as universidades, com as escolas técnicas, e as agroindústrias sendo fortalecidas. Nós não daremos nenhum passo atrás”, garante o dirigente do MST.

Jaime Amorim afirmou, também, que o acampamento de resistência em Normandia, em defesa do Centro Paulo Freire, permanece por tempo indeterminado e que o movimento seguirá aguardando decisão judicial. “Estamos recorrendo das decisões e vamos seguir o processo na Justiça de forma cautelosa, do ponto de vista técnico, bem elaborado, bem fundamentado, para que possamos provar que houve uma alteração na situação da realidade local, e para que os trabalhadores assentados e o Ministério Público também sejam ouvidos”, defende

Patrimônio cultual de PE

As professoras Juliana Andrade e Lúcia Falcão, ambas docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), apresentaram a deputados estaduais de Pernambuco um projeto que pretende reconhecer o espaço que engloba o assentamento Normandia e o Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru, como patrimônio cultural do estado de Pernambuco. A proposta foi apresentada ao final de audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária e Política Rural da Assembleia Legislativa de Pernambuco, na segunda-feira (07).

De acordo com Juliana Andrade, o Centro Paulo Freire e o assentamento Normandia compõem um complexo cultural, que garante a soberania nacional a partir da agricultura familiar. “A entrega deste documento, hoje, vem para solicitar à Assembleia Legislativa o reconhecimento do título de patrimônio cultural de Pernambuco e pedir apoio institucional, junto à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), para que o assentamento Normandia, o Centro Paulo Freire, todo aquele complexo, seja reconhecido como espaço da cultura do povo do campo pernambucano e de todo o Brasil” declarou Juliana ao apresentar o projeto.

Para Jaime Amorim, demonstrações como esta, de reconhecimento e solidariedade de organizações e instituições, é muito importante para o processo de resistência do Centro Paulo Freire, que sofre ameaça de despejo depois de pedido emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “Esse projeto, para nós, é muito importante, porque recupera a história e relevância de Normandia do ponto de vista educacional, cultural, mas também, do ponto de vista arquitetônico, por conta da casa grande e todo aquele espaço. É outra forma de defesa, que é muito importante, e porque o estado tem que entender que Normandia é mais que uma casa, sede ou centro de formação. É, também, um espaço cultural, social, desportivo, importante para o estado de Pernambuco e o Brasil”, frisou Jaime.

 

Edição: Monyse Ravena