Fortaleza

Areninha Castelão tem prática gratuita de softbol para meninas

O projeto “Softbol pela Igualdade”, que teve início em agosto de 2019

Brasil de Fato | Fortaleza (CE)

,
O projeto Softbol pela Igualdade, que teve início em agosto de 2019 / Divulgação

Quando pensamos em esporte com bola no Brasil a primeira pedida é sempre o futebol. Atualmente, a partir de figuras como a atleta Marta Silva, a questão de gênero e o espaço das mulheres no esporte e no mundo tem ganhado maior espaço de discussão.  Mas outro esporte, com uma bola bem diferente, tem trazido na cidade de Fortaleza a possibilidade do esporte como caminho para o empoderamento de meninas: o softbol. Parecido com o beisebol, o sofbal tem como principais diferenças o tamanho da bola e do campo, o tempo da partida, e a possibilidade de equipes mistas e femininas. 

O projeto Softbol pela Igualdade, que teve início em agosto de 2019, recebe, de forma gratuita, meninas entre 8 e 18 anos para a prática do esporte. As aulas acontecem dia de segunda e quarta, tanto no turno da manhã como no da tarde, na Areninha Castelão. O projeto é uma parceria entre o Instituto Esporte Mais, Associação Cearense de Beisebol (ACB), Secretaria de Esporte e Juventude (Sejuv) do Governo do Estado do Ceará, através do programa Esporte em 3 Tempos, e a Project Beisebol (EUA).  

Para Jessyca Rodrigues, coordenadora do Instituto Esporte Mais, é preciso olhar o esporte para além somente da atividade física. O esporte é também um caminho para desenvolver habilidades como autocontrole, boa autoestima e desenvolvimento humano de uma forma geral. É também uma possibilidade de trabalhar temas como direitos das mulheres, violência contra as mulheres, o lugar de mulher na sociedade, entre outros. “É difícil de fazer um projeto exclusivo com mulheres, porque a gente é privada de fazer esporte. Geralmente a gente só faz esporte se já tiver arrumado a casa, se não tiver o irmão mais novo pra cuidar”, comenta Jessyca sobre a importância do projeto ser voltado para meninas. 

A professora do projeto Softbol pela Igualdade, Adeline Brindeiro, ressalta a prática do softbol como uma oportunidade de experimentar algo novo e superar desafios. “Empoderar é dizer para as meninas que elas podem fazer o que quiserem. Se quiserem jogar, elas podem! Não tem ninguém pra dizer que elas não podem. O treino do softbol é também um espaço seguro, inclusivo, onde elas podem falar e se sentir confortável”, afirma a educadora física.        

O projeto prevê ainda, intercâmbio cultural, cursos de formação, atuação de voluntários e possibilidades de bolsas de estudos para as participantes. Para a estudante Emília Félix, 14, o interesse de entrar no projeto partiu inicialmente da curiosidade sobre o esporte que ela só tinha tido a oportunidade de ver pela televisão. “Eu achei muito interessante porque na Areninha só tinha futebol pra jogar, e eu não me dou muito bem com bola grande. E eu acho que o softbol é menos complicado que futebol”, comenta.  Já para estudante Ana Estefane Magalhães, 11, um dos maiores destaques do Softbol pela Igualdade é o acolhimento. “O que eu estou gostando é que a professora é legal, conversa, brinca… o que eu mais estou gostando é do acolhimento, e do esporte também. E também porque como eu sou muito novinha, passo muito tempo no celular, era bom fazer um esporte físico”, conta. 



Jogue como uma menina

Outro projeto que também envolve meninas em sua participação é o Arremessando para o Amanhã, ação da Associação Cearense de Beisebol em parceria com a Prefeitura de Maranguape, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte do Ceará. O projeto envolve meninos e meninas da rede pública de ensino em Maranguape. Para Gabrielly Lima Duarte, 14, estudante da Escola Municipal Deputado Manoel Rodrigues, jogar beisebol é uma forma de se sentir aventureira e também fazer novas amizades. “Eu gosto de todo tipo de esporte, eu sou uma menina muito aventureira. No beisebol a gente corre, arremessa, é legal”, conta a estudante que treina beisebol na escola desde julho. 

O softbol e o beisebol são esportes muito próximos. A chegada desses esportes no Brasil se dá através da migração japonesa ainda no início do século XX. Tanto o beisebol, como o softbol, são mais conhecidos entre as regiões sul e sudeste do país, sendo o projeto Softbol pela Igualdade o primeiro projeto gratuito de ensino do esporte em Fortaleza. Vale ressaltar que a prática do sofbol é majoritariamente feminina. A seleção brasileira feminina de softbol fez sua estreia em competições internacional no primeiro Campeonato Sulamericano de Softbol Feminino, no ano de 1981. O esporte foi incluído nas olímpiadas em 1992 (Barcelona) e se manteve até os jogos de 2008 (Pequim). Nos próximos jogos olímpicos de 2020 (Tóquio) o softbol passa a integrar novamente a lista de modalidades olímpicas.   

Serviço 

Projeto Softbol pela Igualdade 

Gratuito 

Inscrições abertas para meninas dentre 8 e 18 anos

Treinos Segunda/Quarta | 7h às 9h/16h às 18h

Areninha Castelão

Informações e Inscrições: (85) 9 9989.5109 / 9 9711.8820 

 

Edição: Monyse Ravena