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Freireando Porto Alegre

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Porto Alegre vai freirear no sábado 19 de outubro, das 15h às 19h, na Faculdade de Educação da UFRGS
Porto Alegre vai freirear no sábado 19 de outubro, das 15h às 19h, na Faculdade de Educação da UFRGS - Foto: Divulgação
Campanha quer ser, e é, um grito de esperança

O Conselho de Educação Popular da América Latina e Caribe (CEAAL), do qual Paulo Freire foi um dos fundadores e seu primeiro presidente, está lançando a Campanha Latino-americana e Caribenha em Defesa do Legado de Paulo Freire.

Diz o Manifesto de lançamento da Campanha: “Para nós uma Campanha Latino-americana e Caribenha em Defesa do Legado de Paulo Freire deve contemplar os seguintes objetivos:

a. Contrapor-se à ofensiva ideológica contra o pensamento crítico e, em particular, as ideias de Paulo Freire;

b. Defender a importância do seu legado para a educação e outras áreas do conhecimento e para os processos de educação popular desenvolvidos em todo mundo e, especialmente, na América Latina;

c. Construir processos que contribuam para a produção de conhecimento crítico na educação popular, associando o legado de Paulo Freire aos temas da formação política, da educação popular feminista e antipatriarcal, da economia solidária e outros;

d. Realizar atividades com diferentes formatos e nos diversos países da América Latina e do Caribe, que dêem impulso e publicidade à Campanha; e. Articular-se a movimentos sociais e a outros coletivos e redes de resistência para construir a Campanha de forma coletiva e compartilhada.”

Nesta perspectiva e com estes objetivos, Porto Alegre vai freirear no sábado 19 de outubro, das 15h às 19h, ‘à sombra das mangueiras’ (lembrando o belo poema de Paulo Freire) da Faculdade de Educação (FACED) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Paulo Freire, que é Cidadão de Porto Alegre desde 1991, por iniciativa do vereador Décio Schauren, sempre defendeu uma educação pública, popular e democrática. E profetizou: “Não é a educação que transforma. A educação transforma as pessoas que transformam o mundo.”

Nas palavras de Oscar Jara, atual presidente de CEAAL, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFRGS, em 2018: “Na verdade, eu acredito que deveríamos pensar que toda educação deve ser popular em qualquer dos sentidos em que se pode entender por ‘popular’. Toda educação deveria ser popular, ser um direito de todas as pessoas. Também deveríamos ter como prioridade aquelas pessoas que sofrem algum nível de assimetria, e esta educação deveria ser capaz de construir nossas capacidades de sonhar, pensar, sentir e de transformar essas assimetrias, construir capacidades de conhecimentos, os mais difíceis, os mais complicados, e também os mais profundamente simples a partir de diálogos com saberes, com os saberes populares, e os conhecimentos ancestrais. Há tanta sabedoria no mundo! Portanto, a educação das Universidades é um dos lugares e espaços de fazer educação popular.

Uma educação popular deve ser democrática e democratizadora, e as relações docente e aluno devem ser horizontais, dialógicas, democráticas, de respeito, de construção de saberes conjuntos. São uma possibilidade que nos permite também construir sociedades democráticas, nas quais não se pratica apenas a institucionalidade democrática formal, mas em que são respeitados todos os direitos de todas as pessoas em todos os momentos e em todos os lugares.

Todo processo de educação popular é um processo de educação cidadã, que nos cria como cidadãos capazes de viver e construir relações democráticas em todos os espaços da sociedade e da vida cotidiana. Essa ideia freireana de nossa vocação de ‘Ser Mais’ é um desafio ético fundamental para qualquer trabalho educativo nesse sentido popular, democrático, criador, transformador. Por isso, este reconhecimento é um desafio nesse momento da história, frente à lógica dominante mercantilista, patriarcal e colonialista.”

SULEAR em vez de NORTEAR, disse Paulo Freire. E disse ainda, nestes tempos difíceis, de ódio, intolerância, retirada de direitos, ameaças à democracia: “Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos.”

Pacientemente impacientes, sempre. Com tolerância e humildade. Com indignação ante qualquer injustiça. Construir novos tempos, com solidariedade, soberania, democracia.

A Campanha Latino-americana e Caribenha em Defesa do Legado de Paulo Freire quer ser, e é, um grito de esperança. Esperançar, como dizia Paulo Freire. E chegando em 2021, como já propõe o MST, realizar a Jornada Nacional do centenário de Paulo Freire.

Porto Alegre e o Rio Grande do Sul vão freirear dia 19 de outubro, à sombra das mangueiras/árvores da Faculdade de Educação da UFRGS. Todas e todos estão convidados para a celebração. Haverá Rodas de Conversa, lançamento de livros, Feirinhas de produtos orgânicos e artesanato, atividades culturais, haverá dança, música e mística. E às 17h, lançamento da Campanha, com presença de Oscar Jara, atual presidente do CEAAL.

Paulo Freire não será novamente preso e exilado. Paulo Freire foi oficialmente anistiado, é cidadão brasileiro em sentido pleno, é o Patrono da Educação brasileira.

Disse Paulo Freire: “Não entendo a existência humana, sem esperança e sem sonho.” Viva Paulo Freire e a educação popular! ‘Vamos lá fazer o que será.’

Edição: Marcelo Ferreira