Política externa

Veja do que o Brasil abriu mão para (não) entrar na OCDE

EUA preteriu demanda de Bolsonaro em favor da Argentina e Romênia

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Entrada do Brasil na OCDE foi barrada pelo governo norte americano, que preferiu aliança com Argentina e Romênia / Alan Santos/PR

“I LOVE YOU”.

Com essa declaração de amor, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se encontrava rapidamente com o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, nos corredores da Organização das Nações Unidas (ONU). Mal sabia ele que havia sido traído em seu desejo de ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Neste FIO DA MEADA vamos recordar do que o Brasil abriu mão.

CARTINHA | A entrada do Brasil na OCDE foi barrada pelo governo norte americano, que preferiu aliança com Argentina e Romênia, segundo informações da Blomberg. O secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo, disse, em carta, que esses parceiros eram preferências.

QUEIMOU-SE | O pleito do Brasil foi feito em 2017, com Temer, mas foi com Bolsonaro que o país entregou seus dotes para tentar entrar no tratado comercial. Esse era o principal trunfo do presidente, além do tratado Mercosul/UE, para pleitear protagonismo internacional. Mas, por causa das queimadas na Amazônia, o tratado com a Europa ruiu.

NO TE QUIERO | Havia sobrado a OCDE. Por ela, Bolsonaro e seu filho Eduardo se alinharam automaticamente com Trump para tentar derrubar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Mas esse é apenas um detalhe político. As concessões diante das promessas foram maiores.

FOR SALE | Bolsonaro abriu mão de ter tratamento especial na OMC porque se jogou de alma e coração nas mãos de Trump. O tratamento diferenciado dá ao país maiores prazos em acordos comerciais e outras flexibilidades.

CARA CRACHÁ | O Brasil também acabou com uma tradição de reciprocidade na diplomacia que obrigava os norte americanos a tirarem visto para entrar no país, assim como fazem com os brasileiros em terras ianques. O argumento é de que a medida facilitaria o turismo.

VIRA-LATAS | Para tentar entrar na OCDE, o Brasil assinou o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), permitindo o uso comercial da Base de Alcântara por norte americanos. O país balançou o rabo para os ianques. 

AGRONEGÓCIO | Nesse acordo de porcos, o Brasil assinou acordo permitindo a importação de 750 mil toneladas de trigo a imposto zero. Além de estabelecer pontos para importação de carne suína. A escolha afetou o comércio com a Argentina, que agora entra pra OCDE.

TOMA ESSA | Bolsonaro também facilitou a entrada de etanol dos EUA no Brasil. Passou de 600 milhões para 750 milhões de litros a entrada de etanol sem taxação extra de 20%. Como promessa, o Brasil esperava vender mais açúcar.

Edição: Lia Bianchini