LITERATURA

O que tu indica? | A Memória Biocultural

Livro ressalta a importância ecológica das sabedorias tradicionais

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Os Autores apontam a conservação da diversidade cultural como um fator extremamente importante para a diversidade biológica / Reprodução

O livro A memória biocultural sintetiza pesquisas e experiências de diferentes regiões do mundo, mostrando, com base em evidências que o reconhecimento, a ‘revalorização’ dos saberes tradicionais e uma política eficiente de acesso à terra, que são possíveis com a reforma agrária, são caminhos essenciais para a construção de um modelo de agricultura que integra aspectos políticos, sociais, ambientais, epistemológicos e que garantam uma alimentação saudável com um modelo produtivo menos agressivo à natureza e que há centenas de anos milhares de populações tradicionais já vivenciam: a agroecologia. 

Em tempos de ataques aos diretos do povo e destruição dos recursos naturais, especialmente em países tão biodiversos como o nosso, a exemplo das recentes queimadas no Amazonas e Cerrado, o vazamento de manchas de óleo no litoral nordestino, o aumento da violência no meio rural, a liberação absurda de agrotóxicos, o livro nos mostra uma outra face: a importância das populações do campo que resistem nesses territórios há centenas de anos convivendo com a natureza de forma harmônica. A leitura dos livros nos orienta à compreensão de como é possível construir esses modelos produtivos através das memórias compartilhadas no processo coevolutivo da espécie humana com a natureza.

Os autores embarcam em estudos que apontam a conservação da diversidade cultural como um fator extremamente importante para a diversidade biológica de ecossistemas localizados em diferentes partes do mundo. Dessa forma, conservar e valorizar os conhecimentos tradicionais e a luta pela terra precisam estar atrelados à defesa do ambiente natural e através da integração desses saberes e exemplos de resistência popular o livro resgata a memória que a natureza é um bem coletivo. 

*Carla Freitas é estudante de Ciências Biológicas e militante do Levante Popular da Juventude

 

Edição: Monyse Ravenna