Coluna

América Latina vai às ruas contra desigualdade e medidas neoliberais

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25 de Outubro de 2019 às 10:50
O descontentamento chega a tal ponto que estamos falando de manifestações gigantes, de centenas de milhares de pessoas em muitos casos / AFP
Os estopins para as revoltas populares têm sido reformas de cunho neoliberal

O clima andou esquentando bastante na América Latina. Não de uma forma literal, apesar do calor infernal aqui no sertão. Eu me refiro ao clima político no meio da sociedade de um conjunto de países aqui na nossa região. Equador, Peru, Argentina, Uruguai e Chile são alguns destes países nos quais a população foi às ruas. Cada localidade com suas pautas específicas, mas como pano de fundo parece existir uma questão que unifica todas as reivindicações: a profunda desigualdade social.

No geral, os estopins para as revoltas populares têm sido reformas de cunho neoliberal e aumento do custo de vida para os mais pobres, como os combustíveis mais caros no Equador ou o aumento no preço da energia elétrica no Chile. O descontentamento chega a tal ponto que estamos falando de manifestações gigantes, de centenas de milhares de pessoas em muitos casos.

A grande mídia pode ate tentar esconder as verdadeiras raízes, mas o que há por trás é uma grande desigualdade que voltou a se aprofundar na América Latina. Vale o registro que mesmo com os avanços sociais que tivemos no século XXI, a desigualdade sempre foi tão grande em nossa região que é preciso muita luta ainda para reverter. A vida e as perspectivas para um recém-nascido em um país pobre ou em uma família pobre são profundamente diferentes daquelas crianças mais ricas. E quem afirma isso é a própria ONU em seu Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019 a ser lançado agora no final do ano.

Cabe, contudo, uma ponderação: assim como vimos no Brasil em 2013 ou nas manifestações pró-impeachment de Dilma, há setores reacionários da sociedade que também aprenderam a ir para as ruas. Logo, é preciso avaliar o que há por trás em cada situação. É o caso, portanto, da Bolívia, onde a oposição ao presidente Evo Morales não aceitou o resultado das urnas e saiu às ruas na tentativa de deslegitimar a vitória eleitoral de Morales. Da mesma forma como procedeu Aécio Neves em 2014, o Carlos Mesa se recusou a aceitar a derrota e estimula a revolta entre os bolivianos.

Vale destacar, ao fim, a importância de todos estes levantes populares contra as políticas neoliberais. Destaque também para as conquistas já obtidas. Aumentos de tarifas e reformas neoliberais têm sido revistos em grande parte destes países como resultado da ampla pressão popular. E se por aqui a realidade nos parece tão cruel e sem saída, que os ventos latinos nos mostrem que o jogo pode virar. Um dia vai virar e trabalhemos por este momento.

Edição: Marcos Barbosa