Direitos humanos

Campanha apresenta experiência do SUS à República Democrática do Saara Ocidental

A convite da embaixada Saharaui, voluntários do Cebes devem viajar em dezembro para território do norte da África

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O Cebes, entidade que atua na defesa do SUS, quer fazer parcerias entre Brasil e RASD / Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) quer levar a experiência do Sistema Único de Saúde (SUS) para a região do Saara Ocidental,controlada pelo movimento independentista Frente Polisário. A maior parte do território do Saara Ocidental é ocupada há mais de 40 anos pelo Marrocos, razão pela qual o país é conhecido como a última colônia do continente africano.

O convite à Cebes foi feito pela embaixada da República Árabe Saharaui Democrática (RASD). As passagens dos voluntários que acompanharão a missão, em dezembro deste ano, serão custeadas por uma campanha de financiamento coletivo. 

Cerca de 10 pessoas devem viajar ao território africano com o objetivo de apresentar as políticas brasileiras e contribuir no sistema de saúde saharaui, “ajudando a população a ter mais força em sua trajetória de luta por autonomia e independência”, como informa o texto da campanha “Liberdade e Saúde ao Saara Ocidental”

De modo a enriquecer as estratégias brasileiras, uma das finalidades da missão também é conhecer as práticas em saúde da população africana. Em função disso, os voluntários visitarão espaços de saúde para dialogar com profissionais da área e líderes locais que pratiquem formas tradicionais de cuidado. 

O Cebes pretende apresentar a concepção do SUS brasileiro, seus desafios e suas conquistas. O sistema de saúde pública é um dos mais complexos do mundo, “abrangendo desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país”. 

O Cebes atua na defesa do SUS, tendo participado do processo de instituição do sistema. Criado em 1976 e ligado ao Movimento de Saúde dos Povos, o Cebes está presente em mais de 80 países com ativistas, pesquisadores, formuladores de políticas, organizações sociais e instituições acadêmicas.

A expedição à África deve estabelecer parcerias entre as universidades do Brasil e o governo independente saharaui. A entidade tem até o dia 13 de dezembro para arrecadar o dinheiro das passagens aéreas. A hospedagem dos voluntários será nas residências de moradores locais. 

A meta do Cebes é levantar R$ 11 mil na campanha. Para contribuir com qualquer valor acesse a “vaquinha” online

Contexto histórico 

O Saara Ocidental era uma colônia espanhola até 1975, quando a Espanha abandona o território e este passa a ser disputado por Marrocos e Mauritânia. No ano seguinte, a Frente Polisário funda a República Árabe Saharaui Democrática, que conseguem expulsar os mauritanos, porém os marroquinos permanecem lá até hoje.

A RASD é reconhecida como um país por mais de 80 nações do mundo. 

Em setembro deste ano, a ativista conhecida como a “Gandhi do Saara Ocidental”, Aminatou Haidar, foi homenageada pela Fundação Right Livelihood Award. Considerado como o Nobel Alternativo, a saharaui ganhou o prêmio pelo trabalho pacífico em defesa da independência de sua terra natal.

Saiba mais sobre a história da última colônia africana, o Saara Ocidental:

 

Edição: João Paulo Soares