CRIME AMBIENTAL

Artigo | Óleo no mar! Fauna e flora ameaçados!

Vazamento trouxe prejuízos à biodiversidade, à pesca, ao potencial turístico das áreas atingidas

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

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No mínimo, 200 praias do Nordeste foram atingidas por óleo. / Reprodução

Agosto! Praias do Conde! Manchas de óleo! Óleo misturado com a areia! O que foi???

Assim começou, aqui na Paraíba e no Brasil, o grande pesadelo! E agora mais de 200 praias do Nordeste, 2 mil quilômetros de litoral, atingidos.

Daí em diante, praias do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia se vêm sob uma grande ameaça: um produto, que, até hoje não foi eficientemente analisado, pois, segundo alguns especialistas, está chegando muito misturado com areia, o que impede uma análise mais correta, surge nas águas em todo o litoral do Nordeste. Não se sabe de onde vem e o que é!

Por que as dúvidas? Falta de capacidade do Ministério do Meio Ambiente em articular todos os atores que, a esta altura, já teriam resultados mais concretos? Falta de estrutura e de recursos dos gestores dos Estados e municípios, em enfrentar desafio tão forte e desconhecido? Falta de articulação de todos os segmentos da sociedade, capazes de, até voluntariamente, contribuir com a minimização e solução de questão tão crucial para o meio ambiente e a economia local e do país? Por que as universidades públicas e os institutos federais, os pesquisadores, a Marinha, as Capitanias dos Portos, os órgãos fiscalizadores não está, ainda, efetivamente agindo, cada qual na sua especialidade, trazendo as soluções específicas, e, como tal, com a necessária eficiência para impedir a continuidade dos danos? O presidente Bolsonaro e seu ministro do meio ambiente preferem acusar países, a Venezuela, e Ongs, o Greenpeace, como responsáveis pelo crime ambiental.

O avanço do produto nos manguezais e arrecifes de coral, destruindo flora e fauna micro e macroscópicas e áreas de reprodução, causará prejuízos à biodiversidade, à pesca, ao potencial turístico dessas áreas, cuja irreversibilidade demorará décadas.

Declarações da Dra. Soraia Aldair, professora da UFRPE, especialista em Biologia Marinha, divulgadas pelo whatsapp a pedido do filho, traz informações técnicas fundamentais para toda a população.

Esclarece ela que, o benzeno, um dos componentes do produto em questão, se mistura à água, e, por ser mais estável, se dispersa na coluna d’água. É extremamente tóxico, cancerígeno, e, sobre ele, há uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente que estabelece os limites máximos de benzeno na água, suportável pelo corpo humano. Recomenda a pesquisadora, a impropriedade do banho em água contaminadas por esta substância. É preciso exigir-se dos órgãos que analisam a balneabilidade das praias, esta análise e a divulgação dos resultados.

Recomenda ainda, a não ingestão de frutos do mar, em virtude do efeito cumulativo destes poluentes, na cadeia alimentar.

Como é fácil ver, o papel de pesquisadores e especialistas nas equipes é imprescindível. A esta altura, já deveriam ter sido convidados para tal. Oceanógrafos, biólogos, químicos, médicos e demais profissionais estarão prontos, com certeza, a colaborar com o país e sua população. O Ministério do Meio Ambiente e o Governo Brasileiro precisam acreditar nisso!

*Presidente da Apan

Edição: Heloisa de Sousa