Especial América Latina

Povos da América Latina resistem

Eleições na Argentina; protestos no Chile; Bolívia mantém projeto democrático; Venezuela resiste com programas sociais

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Os povos da América Latina sentiram os ataques que sofreram e estão dando respostas / Suzana Hidalgo

Depois da onda conservadora que varreu a América Latina nos últimos anos, como impeachment no Brasil, vitória de um projeto de direita na Argentina e tentativas de derrubar o governo da Venezuela, os povos da América Latina sentiram os ataques que sofreram e estão dando respostas. Levantes são vistos no Chile, Equador, Costa Rica e Haiti.   

O Chile teve, em outubro, as maiores manifestações populares da década contra medidas do governo liberal de Sebastián Piñera, milhões de pessoas saíram às ruas em protesto que começou por conta do aumento de passagens no sistema coletivo, mas que colocou em xeque todo o projeto de privatização e retirada de direitos da população chilena, que serve de modelo ao governo Bolsonaro. 

Na Argentina, Mauricio Macri, presidente que foi eleito com o discurso de “arrumar” a economia, acabou quebrando o país, aumentando a fome e elevando tarifas, além de retirar direitos dos trabalhadores. A resposta veio com a derrota nas urnas. 

Na Bolívia, ao contrário, Evo Morales, presidente que promoveu a integração e melhoria das condições de vida dos mais pobres, foi eleito pela quarta vez no primeiro turno. 

E, na Venezuela, a população continua resistindo a ataques externos e construindo moradias, como mostra reportagem exclusiva, de Pedro Carrano, feita para o Brasil de Fato, de Caracas, capital venezuelana.

Venezuela garante mais de dois milhões de moradias populares 

O programa venezuelano Missões Moradia entregou cerca de 2,5 milhões de habitações desde 2011, em um país de 27 milhões de habitantes. Quase o mesmo número de pessoas nos Estados Unidos que perderam suas casas devido à crise financeira mundial de 2008. 

As 137 famílias da comunidade de Amatina, na capital Caracas, visitada pela reportagem, ergueram seus edifícios, de forma comunitária, ao longo de três anos. Aprenderam técnicas de construção, assessoradas por engenheiros. Não se trata de apenas um benefício social oriundo do governo. As famílias se organizaram para essa construção, o que se mantém mesmo com o projeto quase concluído. 

Algumas famílias apresentaram à reportagem, com orgulho, suas casas, que chegam a ter três quartos e até 90 metros quadrados, diferente dos programas brasileiros. 

Há um bloqueio econômico e midiático que deturpa e não apresenta a realidade dos venezuelanos. Esse sentimento apareceu na conversa com os moradores de Amatina. “São políticas que não se quer ver aplicadas fora da Venezuela”, critica Ivaida Marocoina, moradora que conhece bem a situação de luta por moradia em outros países. 

 

 

Edição: Lia Bianchini