DEMOCRACIA

Agentes da segurança organizam 2° Congresso Nacional Policiais Antifascismo no Rio

Evento debaterá trabalho e segurança pública; roda de samba no Armazém do Campo servirá para arrecadar recursos

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Criado em 2016, o movimento tem como objetivo formar policiais conscientes do papel e da importância da segurança pública / Agência Brasil

No momento em que a violência do Estado e das polícias mais mata inocentes no Rio de Janeiro, agentes de segurança pública de todo o país se reunirão nos dias 28 e 29 na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio Janeiro, para o 2° Congresso Nacional Policiais Antifascismo.

Criado em 2016, o movimento busca um diálogo mais próximo com a sociedade e tem também como objetivo formar policiais conscientes do papel e da importância da segurança pública. Delegado da Polícia Civil há 19 anos e coordenador do movimento, Orlando Zaccone disse que o policial precisa se reconhecer como trabalhador.

“Esse é o diálogo que a gente quer fazer com a sociedade e com os agentes de segurança pública, porque a partir do momento em que ele se identificar como trabalhador, ele estará a lado dos trabalhadores nas grandes lutas que devem ser travadas, na valorização do seu trabalho enquanto servidor público”, explica Zaccone.

Zaccone, que é também cientista político, disse que o movimento de Policiais Antifascismo quer desconstruir a imagem do policial como vilão e como herói em diferentes camadas sociais. “Esses estigmas não correspondem à realidade, a grande maioria dos policiais tem uma carga imensa de trabalho e precisam se reconhecer como trabalhadores”.

Uma das mesas do congresso vai discutir, por exemplo, os impactos da reforma da Previdência para os agentes da segurança pública e para os trabalhadores do país. Em outro debate, pesquisadores e policiais vão discutir o direito de servidores que entram na base da carreira das polícias civil e militar terem o direito de exercer postos de comando nas corporações.

Mãe de Thiago, morto na chacina do Borel em 2003, Maria Dalva da Costa integra hoje a Rede de Movimentos e Coletivos contra a Violência, organização das mães que tiveram os filhos vitimados pela violência do Estado. Ela estará em uma das mesas do 2° Congresso Nacional Policiais Antifascismo.

“Estar no congresso é importante, vou levar meu ponto de vista de mulher, negra e favelada. Temos atualmente uma segurança pública que não garante os nossos direitos, somos considerados inimigos de um estado que usa a política de guerra às drogas para uma política de guerra às vidas”, afirma Dalva, que é favorável à desmilitarização da polícia e à liberação das drogas.

Roda de samba

Antes do congresso, no próximo dia 20, Dia Nacional da Consciência Negra, o Armazém do Campo, na Lapa, recebe a Roda de Samba Antifascismo, que terá feijoada (com opção vegana) e caipirinha com cachaça orgânica. O evento pretende arrecadar recursos para o congresso de policiais antifascismo.

Além do sambista Mosquito, o encontro deve contar com a presença da cantora Teresa Cristina. As contribuições para o congresso podem ser feitas no Vaquinha.

Edição: Mariana Pitasse