Agricultura familiar

Produção de algodão orgânico em assentamento na Paraíba ganha prêmio nacional

Agricultores seguem critérios como o cuidado com saúde do produtor e a proteção da biodiversidade

São Paulo (SP) | Brasil de Fato

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A rede é composta majoritariamente por assentados da reforma agrária / Fabiano José Perina/Embrapa

A Organização Não Governamental (ONG) paraibana Arribaçã ganhou, nesta semana, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social de 2019 pela produção de algodão orgânico. O trabalho é desenvolvido na região da Borborema e Cariri Ocidental (PB) desde 2003. A organização assessora agricultores familiares no estado.

Com a metodologia “O Algodão Agroecológico Gerando Renda e Conhecimento no Curimataú Paraibano”, os responsáveis pela iniciativa receberam R$ 50 mil reais e devem usar o dinheiro para expandir o trabalho junto com os agricultores.

Nos assentamentos assessorados pela Arribaçã, os agricultores seguem critérios como: o cuidado com a saúde do produtor e do solo; a proteção da biodiversidade; a valorização das sementes tradicionais; e o respeito aos limites da natureza e as relações humanas. 

Maria Amália Marques é uma das integrantes da ONG Arribaçã. Ela conta que a maior parte dos assessorados é composta por assentados da reforma agrária.

Marques explica que o trabalho desenvolvido junto aos agricultores levou à criação da Rede Borborema de Agroecologia.  A principal função da organização é certificar a produção como produto orgânico reconhecido pelo Ministério da Agricultura. O selo facilita a comercialização no mercado de orgânicos em nível nacional e internacional.

"Esse é o primeiro SPG [Sistema Participativo de Garantia] do estado da Paraíba devidamente credenciado no Ministério da Agricultura, apto a certificar sistemas de produção e usar o selo de orgânicos do Brasil. É uma organização muito importante, que vem fortalecer o processo de produção orgânica e a agroecologia nas áreas de assentamento", destaca. 

Pelo alto valor das certificações, antes os agricultores da região ficavam dependentes das empresas compradoras de seu produto, pois eram elas que financiavam o processo. 

A integrante da ONG conta que isso diminuía a independência e a capacidade de negociação do valor do produto final. 

Foi então que – incentivados pela Arribaçã – os produtores passaram a se organizar e formaram a Rede Borborema, o que permitiu que eles mesmos fizessem a certificação da produção. 

Atualmente, a Rede Borborema conta com cinco grupos de produção em assentamentos nos municípios paraibanos: Remígio, Prata, Casserengue e Amparo, compostos por 34 produtores com certificação para produzir o algodão. 

Só em 2019, a Rede certificou mais de 60 unidades de produção, todas de agricultura familiar. Hoje, os agricultores vendem o algodão para uma empresa francesa que fabrica sapatos com matéria-prima sustentável, a Vert Shoes.

 

Edição: Katarine Flor