Golpe

Bolívia: Análise estatística descarta fraude na eleição vencida por Morales

Analistas do CEPR afirmam que "era previsível que Evo Morales obteria uma vitória no primeiro turno"

Estudo mostra que não havia evidências de fraude nas eleições bolivianas / reprodução

Uma análise estatística divulgada na última sexta-feira (08/11) pelo Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), com sede nos Estados Unidos, mostrou que havia não evidências de fraudes nas eleições do dia 20 de outubro na Bolívia. 

No relatório, analistas afirmam que, de acordo com análises estatísticas, "era previsível que Evo Morales obteria uma vitória no primeiro turno, com base nos resultados da TREP (Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares)".

"No final, a contagem oficial, juridicamente vinculativa e completamente transparente, com as fichas de registro disponíveis online, coincidiu com os resultados da contagem rápida", disse, no estudo, Guilherme Long, analista do CEPR. 

O CEPR diz que, em mais de 500 simulações, Morales aparecia vencendo no primeiro turno. O documento estuda em detalhes o que aconteceu na contagem dos votos, que apresentava vitória do ex-presidente com 83,85% na contagem rápida, na TREP. 

O artigo aponta que há questões geográficas e históricas na votação que dava vantagem a Morales. Isso explicaria a diferença de pontos entre o agora ex-presidente e o candidato da oposição, Carlos Mesa. 

"Nem a contagem rápida, nem a contagem oficial exibem mudanças repentinas nas tendências nos resultados finais, e a mesma tendência bem conhecida , explicável pela geografia, é evidente em ambos os aspectos", afirma o documento.

Os analistas também questionaram a declaração da Organização dos Estados da América (OEA) após as eleições. De acordo com Mark Weisbrot, co-diretor da CEPR, a organização emitiu um comunicado sem nenhuma evidência de que tivesse havido algum tipo de fraude na contagem dos votos. 

"O comunicado de imprensa da OEA, de 21 de outubro, e seu relatório preliminar sobre as eleições bolivianas, levantam questões perturbadoras sobre o compromisso da organização com observação eleitoral, imparcial e profissional", disse.

Weisbrot ainda afirmou que a OEA "deve investigar para descobrir como essas declarações, que podem ter contribuído para o conflito político na Bolívia, foram feitas sem nenhuma evidência".

Edição: Opera Mundi