FEMINISMO

Manuela D'Ávila lança livro "Por que Lutamos?" em João Pessoa

Antes do evento, a ex-candidata e militante do PC do B deu uma entrevista coletiva

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

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Manuela D'Ávila em visita a João Pessoa para lançamento de "Por que lutamos?". / Reprodução

A ex-candidata a vice-presidência da República, Manuela D'Ávila veio a João Pessoa nesta quarta (13) para lançar o livro "Por que lutamos?" e atraiu uma multidão de interessados no assunto. O evento ocorreu no pátio do Cine Aruanda, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), durante a 6ª Semana de Jornalismo Vladimir Herzog (SJVH), realizado pelo Centro Acadêmico de Jornalismo Vladimir Herzog – Gestão Plural, com apoio do Departamento de Jornalismo da UFPB, do Centro de Comunicação, Turismo e Artes da UFPB, da Agência Íris – Empresa Júnior de Comunicação da UFPB, da ADUFPB, do SINTESPB e do SICREDI.  "Por que lutamos?"  se propõe a abordar o feminismo em tom de conversa e acolhimento e é dedicado para todos os públicos. Esse é o seu segundo livro lançado por Manuela D'Ávila, o primeiro Revolução Laura, tratou de suas reflexões sobre a maternidade.

Após o lançamento do livro, ocorreu a mesa "Jornalismo e gênero: a revolução é feminista", parte da programação da SJVH - iniciada dia 11, com encerramento nesta quinta (14) -onde além de Manuela D'Ávila, participaram a deputada estadual Estela Bezerra ( PSB), a professora do Departamento de Jornalismo da UFPB, Glória Rabay e Thaís Vital, que é do Núcleo de Estudos e Pesquisas Afrobrasileiros e Indígenas da Universidade Federal da Paraíba.

Manuela D'Ávila deu uma entrevista coletiva momentos antes de lançar seu livro e participar da mesa do evento. Na ocasião perguntamos a ela a razão de ter escrito uma carta de solidariedade à deputada federal Joice Hasselmann (PSL) por ocasião dos ataques e das fake news que a mesma estava sofrendo na internet. "Várias pessoas produziram as suas opiniões sobre o que eu escrevi, a partir da manchete, então o meu primeiro pedido é para que as pessoas leiam. O segundo é para que as pessoas se esforcem para interpretar o que eu escrevi. Não é uma mera carta de solidariedade a uma deputada de outro campo político, embora eu defenda a Convenção Internacional dos Direitos Humanos, e portanto, até na guerra existem regras e envolver crianças na guerra não faz parte das convenções que eu defendo, assim como não faz parte a prática de tortura. É uma carta que pauta a construção histórica daquilo do que nós estamos vivendo, tanto que ela trabalha com personagens que historicamente foram alvos do processo que hoje a deputada Joice vive. Situa o que foi o processo de desconstrução misógina da presidente Dilma, situa o que são os ataques permanentes a honra de Marielle Franco, a profanação do corpo de Marielle Franco com fake news, o que o processo de construção de uma espécie monstro da deputada Maria do Rosário, o que é a vida fora do Brasil, de um dos meus maiores amigos, que é o deputado Jean Wyllys e diz deputada nós somos solidários a sua dor, porque nenhum de nós defende envolver filhos na baixaria politica, mas o que eu posso fazer para combater fake news é criar um instituto e tentar ensinar as pessoas a identificá-las, o que a Senhora pode fazer é denunciar a quadrilha. Se as pessoas não leem até o fim, eu não tenho o que fazer por elas", diz Manuela.

E por fim conclui: "Sim é solidariedade, mas a solidariedade de quem tem compromisso público e quem tem mandatos, nunca pode ser algo só individual, transforme a sua dor em luta. Eu acredito nisso, que só a luta muda a vida, termina assim para que nenhum filho de nenhuma outra pessoa passe pelo o que seu filho está passando. Isso é um chamado ao resgate aos pactos civilizatórios, que foram perdidos na construção do Bolsonarismo no Brasil. Quem não conseguiu compreender isso gente talvez não compreenda no fundo o que nós estamos vivendo".

 

Edição: Heloisa de Sousa