Coluna

Discriminadas: O Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres

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27 de Novembro de 2019 às 16:19

Ouça o áudio:

Marcha das Mulheres Negras protesta contra a violência que atinge as mulheres negras em todo o país / Foto: Tomaz Silva/Arquivo Agência Brasil
Maioria na sociedade, mulheres não ocupam nem 15% das cadeiras do parlamento

No mundo inteiro, o dia 25 de novembro é considerado como o Dia de Combate à Violência Contra a Mulher e, portanto, em todas as cidades se debate, discute e reflete a respeito da real situação das mulheres na sociedade.

No Brasil, não é diferente. Lamentavelmente, apesar dos importantes avanços que tivemos nos últimos tempos, as mulheres ainda seguem sendo brutalmente discriminadas em todos os âmbitos da sociedade brasileira. 

Discriminadas em casa, quando são as únicas responsáveis pelo trabalho doméstico, pelo cuidado dos filhos e dos mais velhos. Discriminadas quando, no mercado de trabalho, apesar de representarem mais de 40% da mão de obra, recebem, em média, 25% a menos dos salários dos homens.

Discriminadas quando somos mais de 51% da população brasileira e não ocupamos nem 15% das cadeiras do parlamento. Discriminadas quando, pelo simples fato de sermos mulheres, somos violentadas, agredidas e muitas vezes mortas. 

Portanto, o dia 25 de novembro tem sido muito importante no mundo e, principalmente, no nosso país. Porque é o dia em que nos dedicamos ao debate dessa situação, ao diagnóstico que deve ser feito mas, principalmente, à busca de formas para superar esses problemas.

As mulheres, quando vem uma crise econômica, são as que mais sofrem. Enquanto a média do desemprego das mulheres ultrapassa 11%, a dos homens gira em torno de 8%. E se pegarmos mulheres negras a gente percebe que a situação é mais grave ainda. O índice de desemprego chega a ser superior a 13,3%. 

Em relação à questão da violência, que é muito grave, primeiro vale destacar que a grande parte dos homens violentos – que estupram e violentam as mulheres – são pessoas muito próximas ao núcleo familiar. São maridos, companheiros, ex-maridos, ex-namorados, vizinhos, tios ou parentes que têm um convívio diário com a família.

Em relação à violência sexual, nós temos, no Brasil, mais de 66 mil casos registrados de estupros. Ou seja, são, em média, 180 estupros por dia, sendo que 54% deles ocorrem em meninas e meninos de até 13 anos de idade.

Portanto, é necessário que tenhamos presente no cotidiano esses dados assustadores e dramáticos, porque eles não afetam apenas a vida de uma mulher, mas de famílias inteiras. 

Então, a luta em defesa dos direitos da mulher e no combate à violência deve ser vista pela sociedade não como uma luta das mulheres, mas também como uma luta dos homens e de todos aqueles que sonham, lutam e trabalham para viver não só em uma sociedade mais democrática, mas em uma sociedade justa, onde homens e mulheres tenham deveres, mas tenham direitos e respeito mútuos.

Edição: Rodrigo Chagas