TRABALHO

Congresso da CUT Minas deve reunir 270 sindicatos em Ouro Preto

De 29 de novembro a 1º de dezembro, encontro acontece em meio a profundos retrocessos trabalhistas

Belo Horizonte

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Para Jairo Nogueira, sindicatos devem enfrentar o desafio de dialogar com desempregados e trabalhadores de aplicativos / João Ramos

A maior central de sindicatos de Minas Gerais se reúne, em Ouro Preto, para fazer a eleição da sua nova diretoria. O Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT Minas) acontece nos dias 29, 30 de novembro e 1º de dezembro. O momento é peculiar, pois as entidades sindicais, apesar de enfraquecidas por leis como a Reforma Trabalhista, se tornam cada vez mais necessárias.

O coordenador adjunto do 13º Congresso Estadual da CUT Minas, Jairo Nogueira Filho, explica que a importância dos sindicatos aumenta quanto mais os direitos trabalhistas são retirados. Na sua opinião, o país passa por um profundo ataque aos trabalhadores. “O momento que nós estamos vivendo está retirando direitos até mesmo de quem está desempregado. A situação que a gente vive no Brasil não é boa”, lamenta.

O Congresso da CUT, que deve reunir 270 sindicatos de Minas Gerais, vai também planejar as ações para os próximos dois anos. Na análise de Jairo Nogueira, este momento é essencial para que as entidades mudem a forma de agir, acompanhando mudanças que já ocorrem no mundo do trabalho.

“É preciso voltar para a base, para os territórios, procurar não só os trabalhadores filiados, mas aqueles que estão sem emprego. Os trabalhadores de aplicativo, por exemplo. Essa é a nova realidade do mundo do trabalho e nós, como sindicatos, temos que fazer algo diferente para nos aproximar dessas pessoas”, avalia.

Tragédia verde e amarela

O próximo capítulo que trabalhadores vão enfrentar se chama “contrato Verde e Amarelo”. A proposta de Jair Bolsonaro, que é para jovens de 18 a 29 anos, insere a cobrança do INSS sobre o seguro-desemprego, libera o trabalho aos domingos e feriados sem receber a mais por isso e diminui as taxas que patrões pagam. Essa medida de Bolsonaro muda 135 pontos da Constituição Federal, número maior que a reforma trabalhista, que mudou 117 pontos.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje, 41% da força de trabalho do Brasil está em empregos informais. Esse é o maior número desde 2012. Para Clemente Ganz, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o número é resultado da reforma trabalhista, aprovada em junho de 2017 pelo governo do ex-presidente golpista Michel Temer (MDB).

Edição: Larissa Costa