Coluna

Aumento dos bilionários e avanço da desigualdade: o que entregou o governo Bolsonaro

Imagem de perfil do Colunista
05 de Dezembro de 2019 às 15:19
Brasil bateu recorde no número de bilionários. Ao todo são 26 pessoas a mais que passam a ingressar as fileiras dos super ricos / Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil
A realidade não poderia ser mais dura para os trabalhadores

As promessas de campanha do presidente Bolsonaro eram muitas. Retomar o crescimento econômico, gerar empregos e acabar com os “privilégios”. A realidade, no entanto - passados quase um ano de governo - não poderia ser mais dura para os trabalhadores.

As promessas de crescimento econômico ficaram no vazio e estamos amargando na maior crise econômica já vivida na história brasileira.

A promessa da geração de emprego também não encontrou correspondência na realidade. A reforma trabalhista – da qual o presidente Bolsonaro e sua equipe econômica foram grandes entusiastas – não apenas não foi capaz de elevar o nível de emprego dos brasileiros senão que agravou o quadro de informalidade, precarização do mercado de trabalho e brutal queda na renda média dos trabalhadores.

A persistência de um volume elevado de trabalhadores desempregados, desalentados ou subutilizados, somado com a continuidade de um quadro baixa atividade econômica são, em parte, responsáveis por duas notícias recentes que exemplificam o Brasil desses tempos sombrios.

A primeira dessas notícias é que a estampa a capa da edição 171 da Revista Forbes Brasil. Segundo a publicação, o país bateu recorde no número de bilionários. Ao todo são 26 pessoas a mais que passam a ingressar as fileiras dos super ricos.

Um deles é um velho conhecido nosso, entusiasta e garoto propaganda do governo Bolsonaro. Luciano Hang – mais conhecido como “Véio da Havan” – acumulou um faturamento, no primeiro semestre de 2019, 62% maior do que os R$ 7 bilhões faturados no mesmo trimestre do ano de 2018

Ao todo, os 58 bilionários brasileiros acumulam uma fortuna de cerca de R$ 680 bilhões de reais. E esse montante só cresce. De 2018 para 2019 o rendimento desses bilionários aumentou 1,9%.

Ou seja, em um período de queda da riqueza total produzida pela sociedade brasileira, se os ricos estão acumulando patrimônio, isso significa que os mais pobres estão ficando com uma fatia ainda menor do bolo.

A segunda notícia assustadora do trimestre passado foi a divulgada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD-IBGE) que constatou que estamos com a maior queda da renda média brasileira da série histórica.

Os pobres estão ficando mais pobres e os ricos ficando mais ricos. Essa fórmula é o que está por trás do governo Bolsonaro e seu projeto ultraneoliberal.

Os 30% mais pobres do país, que somam 60 milhões de pessoas, perderam cerca de 3,2% do seu rendimento médio. Os 5% mais pobre – que são, atualmente, 10 milhões de pessoas – tiveram um ganho mensal de R$ 153 reais, apenas. O 1% mais rico, por outro lado, teve ganhos de 8,4% no seu rendimento médio em 2019.

Uma pesquisa da FGV demonstrou que a queda da renda média dos trabalhadores agrava não apenas a desigualdade social entre os mais ricos e os mais pobres, quanto contribuiu na desigualdade entre os trabalhadores.

Os jovens de 20 a 24 anos perderam 17,16% da sua renda média mensal; os analfabetos 15,16%; os moradores da região nordeste 7,55% e os negros 8,35%. Ou seja, quem já tinha pouco perdeu mais ainda.

A razão para os mais ricos acumularem mais riqueza em um período de crise econômica reside na política neoliberal de redução das políticas protetivas e do gasto social levado adiante pelo governo Bolsonaro.

O “Véio da Havan” provavelmente entrou na lista dos novos bilionários porque a reforma trabalhista reduziu, sensivelmente, os custos do trabalhador além de legalizar práticas de contratação laboral que não são as protegidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na esteira disso, o desemprego persistente e a informalidade reduzem ainda mais os salários dos trabalhadores, que tem seus rendimentos pautados nas leis de mercado “da oferta e da procura”.

Por outro lado, políticas como o “Teto dos Gastos” primários do governo retiram dinheiro do orçamento do Estado e os transferem para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública, a única parte do orçamento que não está “congelada” pela nova regra fiscal.

Não à toa o principal grupo de bilionários atua, exatamente, no sistema financeiro, para onde – inclusive – o governo Bolsonaro queria mandar a sua aposentadoria, na famigerada proposta de mudança para o regime de capitalização.

Edição: Rodrigo Chagas