Revolução Chinesa

Livro traz lições de Mao Tsé-Tung para a esquerda

Segundo Miguel Stédile, uma das principais lições é a necessidade de fazer alianças para combater a ostensiva da direita

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Jovem Mao Tsé-Tung, liderança da revolução chinesa / US National Archives and Records Administration

Os tantos obstáculos que separam as populações chinesa e brasileira, como idioma e distância geográfica, dificultam o acesso do brasileiros às informações sobre o mundo chinês, sejam elas relativas ao passado ou ao presente.

Nesse sentido, o livro, Mao Zedong e a revolução chinesa: métodos de direção e desafios da transição ao socialismo, organizado pelo integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Miguel Enrique Stédile, procura preencher essa lacuna. 

A coletânea traz textos de Mao Zedong – conhecido também como Mao Tsé-Tung –, liderança da Revolução Chinesa, de 1946 e fundador da República Popular da China. O conteúdo aborda a complexidade da representação política em diversos momentos do processo revolucionário e o papel da base popular. 

De acordo com o organizador do livro, Miguel Stédile, “os textos nos ajudam a pensar, por exemplo, o papel do campesinato na Revolução Chinesa e como um país dessa proporção e com a condição de periferia conseguiu se desenvolver tanto economicamente quanto socialmente”.

Os temas expressam algumas da principais preocupações de Tsé-Tung: o conhecimento prático da realidade, a luta ideológica, o papel revolucionário da população campesina e a capacidade de autocrítica. Stédile espera que o livro contribua para a compreensão da cultura chinesa, em todos os seus aspectos. 

O planejamento do Estado chinês, de pelo menos quatro décadas, para se tornar uma potência mundial foi um dos pontos que mais chamou a atenção do organizador, durante a preparação do livro. Nesse aspecto, os textos contribuem para entender quais foram as estratégias para superar os problemas de 40 anos atrás e chegar ao século 21 com uma economia promissora.

Uma das lições, afirma Stédile, está ligada ao caráter pragmático das relações internacionais chinesas. “Não é de conflito, eles são muito mais negociadores nesse aspecto”, explica.

Os textos também trazem lições para a esquerda brasileira, diante de um cenário de ascensão da direita. O governo chinês, durante a revolução, por exemplo, tratou de construir alianças em nome de um projeto maior. 

“Isso nos coloca numa situação de defesa do Brasil e da democracia. Infelizmente é um período que devemos engolir a seco algumas coisas. Mas sozinhos não vamos conseguir enfrentar essa ostensiva”, conclui Stédile.

A obra é o livro do mês da editora Expressão Popular. Para acessar o site de vendas, clique aqui

 

Edição: Julia Chequer