DIPLOMACIA

Venezuela condena possível refúgio a desertores pelo governo brasileiro

Ministério de Relações Exteriores considera Brasil cúmplice de assalto a batalhão da Guarda Nacional Bolivariana

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Chanceler Jorge Arreaza pede que Brasil entregue militares desertores presos em Roraima
Chanceler Jorge Arreaza pede que Brasil entregue militares desertores presos em Roraima | Crédito: AVN

Na última semana do ano, Brasil e Venezuela vivem novas tensões diplomáticas. De acordo com órgãos oficiais venezuelanos, o governo brasileiro estaria protegendo cinco militares desertores envolvidos na tentativa de tomada de uma base militar próxima à fronteira com o Brasil.

Entenda o caso

No dia 27 de dezembro, os ministérios brasileiros de Relações Exteriores e Defesa publicaram um comunicado anunciando que cinco militares venezuelanos haviam sido encontrados no território indígena São Marcos, estado de Roraima, e que eles seriam encaminhados para entrevistas em Boa Vista.

Em seguida, a chancelaria venezuelana emitiu outro comunicado afirmando que se tratavam de militares desertores do exército venezuelano, que haviam protagonizado uma tentativa de toma de uma base militar no estado fronteiriço Bolívar. O comunicado também afirmava que os trâmites diplomáticos para pedir a extradição desses cidadãos já haviam sido iniciados. 

Esses militares participaram do assalto de 120 fuzis AK103 e nove lança-foguetes RPG, do 512 Batalhão Mariano Montilla da Guarda Nacional Bolivrariana (GNB), no setor Luepa, município Gran Sabana, a 200km de Pacaraima, na fronteira com Brasil.

Depois do primeiro confronto, o grupo teria fugido para Santa Elena de Uairén, no lado venezuelano da fronteira e roubado mais nove pistolas e cinco escopetas de um posto policial em San Francisco de Yuruaní. 

Enquanto tentavam cruzar a fronteira venezuelana-brasileira pelas chamadas trochas — rotas ilegais — oficiais da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) conseguiram capturar parte do grupo, recuperando 82 fuzis e seis caixas de munição. No confronto, o cabo Jean Pierre Caraballo Marcano foi morto.

"Desmantelamos o plano 'Natal sangrento' do grupo de Guaidó, no qual encontramos participação dos governo da Colômbia, Peru e Brasil", denunciou o vice-presidente de Comunicação, Cultura e Turismo Jorge Rodríguez, no dia 23 de dezembro, três dias antes do comunicado do Itamaraty. 

Mais tarde, no dia 28 de dezembro, os ministérios de Relações Exteriores e Defesa brasileiros atualizaram a situação afirmando que todos os cidadãos venezuelanos já haviam sido recebidos pela Operação Acolhida em Roraima e que pediriam refúgio ao Estado brasileiro, como "outros militares venezuelanos em situação similar". 

 

As autoridades venezuelanas responderam com uma nova missiva repudiando a outorga de refúgio aos desertores venezuelanos. 

"Ao outorgar refúgio sobre supostos não contemplados nas convenções internacionais correspondentes, a República Federativa do Brasil não só agrava o direito internacional humanitário, mas estabelece perigosos precedentes de proteção a pessoas que cometeram delitos flagrantes contra a paz e a estabilidade de outro Estado. O governo brasileiro se converte assim em cúmplice de atividades armadas contra países vizinhos", diz o comunicado. 

No entanto, até o momento não há qualquer confirmação do refúgio aos venezuelanos acolhidos em Roraima. A equipe do Brasil de Fato entrou em contato com o Palácio do Itamaraty, mas não obteve resposta oficial. 

 

Editado por: Julia Chequer

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