América Latina

Vídeo | Entenda como Juan Guaidó perdeu a presidência da Assembleia Nacional

O deputado opositor Luis Eduardo Parra é o novo presidente do legislativo; Guaidó se autoproclamou líder da Casa

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Juan Guaidó, ex-presidente da Assembléia Nacional da Venezuela, sobe uma cerca em uma tentativa fracassada de entrar na Casa
Juan Guaidó, ex-presidente da Assembléia Nacional da Venezuela, sobe uma cerca em uma tentativa fracassada de entrar na Casa - Foto: Matias Delacroix/AP

O ano de 2020 acaba de começar e a Venezuela e Juan Guaidó voltam a ser notícia no mundo. Em 5 de janeiro, após eleições para a presidência da Assembleia Nacional, Guaidó perdeu o cargo para o deputado Luis Eduardo Parra, do partido Primeiro Justiça.

Compõem a mesa com ele: Ranklin Duarte, do partido Copei, eleito primeiro vice-presidente; e José Gregorio Noriega, do Partido Vontade Popular, vice-presidente. Todos membros da oposição venezuelana.

O líder do partido Vontade Popular promoveu tentativas de inviabilizar as eleições que o afastariam de qualquer possibilidade de manter-se como presidente autroproclamado da Venezuela.

No final de 2019, se tornaram públicas algumas cisões dentro da oposição venezuelana a Nicolás Maduro. Alguns deputados denunciaram escândalos de corrupção que envolviam o uso do dinheiro da ajuda humanitária enviada do exterior para uso pessoal de personagens do setor liderado por Guaidó.

Neste vídeo explicativo, entenda o que de fato aconteceu no dia 5 de janeiro na Assembleia Nacional venezuelana. Guaidó foi impedido de entrar? Foi reeleito presidente do parlamento ou houve outra eleição? 

A confusão

É verdade que Guaidó tentou entrar na Assembleia Nacional, no dia 5 de janeiro, no entanto, é mentira que ele foi impedido. Guaidó -- assim como todos os outros deputados que apresentaram sua credencial -- foi autorizado a entrar no Palácio Legislativo Federal.

Porém, o então presidente optou por não entrar na Assembleia, a não ser que fosse acompanhado de outros deputados que tiveram sua candidatura impugnada pela Justiça venezuelana e, portanto, estavam inabilitados para entrar na sessão. 

Na maior parte das imagens, o autoproclamado aparece abraçado a Gilberto Sojo, membro do partido do Guaidó, Vontade Popular, que foi preso durante dois anos por ter sido um dos organizadores das guarimbas, os atos violentos da oposição em 2014.

Gilberto Sojo não tinha credenciais como deputado. Guaidó insistia que se não entrassem todos, não entraria ninguém. 

A maioria dos deputados, no entanto, decidiu dar início à sessão. 

Guaidó, então, acompanhado desses políticos que tiveram a candidatura impugnada, tentou saltar o portão do Capitólio -- a sede da Assembleia venezuelana. São essas imagens que rodaram o mundo, justificando a história de que Juan Guaidó teria sido impedido de entrar no parlamento. 

Sessão paralela e oposição partida

Enquanto deputados votavam no interior do Capitólio, Guaidó reuniu um grupo de cerca de 30 parlamentares em uma sessão paralela no auditório do jornal El Nacional.

Sem quórum e sem qualquer tipo de legalidade, Guaidó decide se autoproclamar novamente, nesse caso, presidente da Assembleia Nacional.

Desde 2015, quando o atual grupo de parlamentares assumiu o cargo, a Mesa de Unidade Democrática (Mud), a aliança eleitoral opositora que saiu vitoriosa nas eleições, ganhando a maioria das cadeiras da assembleia, decidiu fazer um rodízio interno para ocupar a presidência do parlamento. 

Os quatro primeiros anos foram presididos pelos maiores partidos da Mud: Ação Democrática, Primeiro Justiça, Um Novo Tempo e Vontade Popular.

Neste quinto e último ano de legislatura, a mesa deveria dar espaço para um mandato dos menores partidos da aliança. Guaidó, portanto, assim como seus antecessores, deveria entregar o cargo a outro deputado que seria apoiado pelos partidos opositores contra o chavismo. 

Mas se transferisse a presidência da Assembleia Nacional, também perderia a justificativa legal para ter se autoproclamado presidente da Venezuela.

Essa divisão na oposição já vinha sendo anunciada desde o ano passado e se confirmou no último domingo, quando um grupo de opositores rebeldes propôs uma nova diretoria para a assembleia sem o nome de Juan Guaidó. Esse foi o grupo que venceu as eleições com 81 votos, entre os 140 deputados presentes. 

Alguns setores afirmam ter desistido de seguir as mesmas práticas de Guaidó, de tentar derrubar o governo Nicolás Maduro à força, e que agora querem disputar o poder por meio da institucionalidade venezuelana. 

Muitos dos deputados denunciaram durante o próprio domingo que Guaidó não queria entrar na assembleia porque sabia que não teria o apoio suficiente para ser reeleito.

A nova direção do parlamento apoia os resultados da Mesa de Diálogo Nacional, que prevê a Reforma do Conselho Nacional Eleitoral, para que sejam convocadas novas eleições legislativas ainda neste primeiro trimestre de 2020.

Edição: Rodrigo Chagas