POLÍTICA

Editorial | 2020: a luta contra o fascismo deve ser uma tarefa de milhões

A principal tarefa contra o bolsonarismo é a luta organizada

Brasil de Fato | Recife (PE)

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O desafio é fortalecer e organizar a resistência, até porque, a luta contra a ameaça do fascismo deve ser uma tarefa de milhões / Guilherme Santos

É certo que 2019 foi um ano de ofensiva contra o povo brasileiro. Mas, tão certo quanto isso, é que também aprendemos com esse processo. Se há repressão, também há resistência. Vimos surgir iniciativas como as frentes parlamentares em defesa da Amazônia, da Convivência com o Semiárido, da Liberdade Religiosa e do Rio São Francisco. Vimos uma fagulha de esperança com a liberdade de Lula, em contraponto ao show de horrores político e judiciário que arquitetou sua prisão. Tivemos ondas de manifestações em defesa da educação que conseguiram estancar o saque no financiamento da educação pública protagonizado pelo ministro Abraham Weintraub.

2020 começa em todo país com a organização de uma das datas principais do calendário feminista, que é o 8 de Março. É certo que as mulheres romperão cercas e ocuparão as ruas em defesa dos seus direitos, há tanto ameaçados por um governo machista e conservador. Neste ano, Pernambuco sedia o Encontro Nacional dos Movimentos Feministas, para discutir e fazer um feminismo em movimento, cada vez mais voltado às necessidades e realidades das mulheres brasileiras. No âmbito da luta institucional, é hora de lutar e derrotar o bolsonarismo nas eleições municipais de 2020, impedindo a capilarização deste governo nefasto na administração dos municípios. As organizações sindicais já se planejam para iniciar as lutas em defesa do emprego, dos direitos e da democracia, que mesmo golpeada, tenta se reerguer. 

Numa outra mão, é possível perceber o fortalecimento da luta política nas periferias, a partir da organização de associações, movimentos, cursinhos populares e os cineclubes, aliando a necessidade da luta por direitos com lazer, cultura e educação. Se 2019 foi um ano de crimes ambientais, nunca se falou tanto na necessidade de repensar o consumo individual e ainda mais, entender que o capitalismo de sustentável e “eco-friendly” não tem nada. Entendemos a teia de mentiras que vem elegendo governos autoritários com notícias falsas e agora pensamos duas vezes antes de compartilhar aquele link suspeito nas redes sociais. No Brasil onde ocorre uma morte de LGBT a cada 23 horas, foi aprovada a criminalização da LGBTfobia.

O desafio é fortalecer e organizar a resistência, até porque, a luta contra a ameaça do fascismo nessa nova roupagem deve ser uma tarefa de milhões. É hora de arregaçar as mangas e partir para o convencimento, deixando para trás as coisas pequenas na luta em defesa do povo brasileiro. Numa época de obscurantismo, é importante se apegar às revoltas populares que abalaram os centros de poder. Que surjam novas revoluções pernambucanas, dos alfaiates, malês, cabanos e que façamos novas Palmares, centros de luta organizada contra esse poder racista, machista e capitalista. Que exemplo vamos deixar para as próximas gerações? Abaixar a cabeça para a derrota ou nos organizar para uma resposta? Que seja um 2020 de lutas, resistência e fé não só no que podemos fazer, mas no que virá, já que citando Thiago de Mello, “os que virão, serão povo, e saber serão, lutando”.

Edição: Monyse Ravenna